Há pesticidas proibidos em águas subterrâneas portuguesas

A Agência Portuguesa do Ambiente defende que se contaminação já está a chegar às águas subterrâneas, um recurso fundamental para consumo humano em época de seca, é porque os pesticidas estão a ser usados em concentrações bastante elevadas.

Um estudo da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) à qualidade das águas subterrâneas detetou em algumas zonas do país a presença de pesticidas proibidos por lei.

As conclusões serão apresentadas esta quinta-feira numa altura em que a entidade do Ministério do Ambiente está preocupada com as recorrentes situações de seca que dificultam cada vez mais a recarga dos aquíferos, bem como com o aumento da procura destas águas e a degradação da sua qualidade, nomeadamente pela contaminação de nitratos de origem agrícola.

Um recurso crucial nas épocas de seca

A diretora do Departamento de Recursos Hídricos adianta à TSF que já licenciaram, desde o início do ano hidrológico, que começou em outubro, mais de quatro mil novos furos de captação de água, resultado da seca, mas também da crescente intensificação de alguma agricultura, sendo necessário pensar cada vez mais em preservar um recurso crucial para as cada vez mais frequentes épocas de seca.

Felisbina Quadrado explica que é preciso muito cuidado com a forma como se usa este recurso escasso que só deve ser usado para o abastecimento público de água, nomeadamente em períodos de seca.

Um dos estudos feitos pela APA, que será apresentado esta quinta-feira, tentou monitorizar a qualidade das águas subterrâneas em Portugal, por exemplo ao nível de contaminantes que chegam a essas águas, tendo sido detetadas "algumas situações que nos preocupam".

Pesticidas proibidos

Felisbina Quadrado explica que "é matéria complicada, mas detetámos em alguns locais algumas contaminações com pesticidas que nos preocupam, sendo que algumas substâncias já nem estão autorizadas em Portugal, pelo que é preciso ter uma atenção redobrada nos impactos que a intensificação da atividade agrícola pode ter na qualidade da água".

A responsável da Agência Portuguesa do Ambiente conta que estas zonas serão a partir de agora sujeitas a medidas para remediar o problema, mas o mais importante "é evitar práticas agrícolas que levem a excessos noutras zonas".

Sem adiantar para já os sítios onde estes contaminantes proibidos foram detetados, Felisbina Quadrado explica que são, naturalmente, zonas onde a atividade agrícola é mais intensa.

Quanto à presença de substâncias proibidas nas análises realizadas, a APA sublinha que hoje, pela Internet, qualquer pessoa pode comprar o que quiser, não estando de parte a hipótese de algumas terem sido trazidas para Portugal por agricultores espanhóis.

O mais relevante, diz Felisbina Quadrado, "é chamar a atenção que se estas substâncias já estão a chegar às nossas águas subterrâneas é porque estão a ser usadas em concentrações bastante elevadas, em excesso, que levam a que sejam arrastadas, quando chove", para os aquíferos.

Erros do passado, problemas do futuro

Eduardo Oliveira e Sousa, presidente da Confederação de Agricultores, lembra que a natureza leva tempo a "limpar erros do passado".

"Os excessos eventualmente cometidos há alguns anos podem ainda estar a originar resultados nalgumas análises."

Felipe Duarte Santos, especialista em alterações climáticas reafirma a ideia: a agricultura intensiva "não é sustentável a médio e longo prazo".

O especialista considera que é fundamental aplicar "medidas de mitigação dos impactos deste tipo de agricultura e que passam por controlar melhor a autorização para fazer furos para captação de águas subterrâneas, controlar o uso dos pesticidas, maior fiscalização".

Felipe Duarte Santos sublinha, no entanto, que para que tal aconteça é "preciso ter o pessoal disponível".

"É muito positivo que a APA alerte para esta questão. É importante, contudo, que se diga onde isto se situa para as pessoas estarem informadas. A verdade é sempre muito produtiva e salutar", remata.

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