"Isto é brincar à Proteção Civil." Associação condena programa Aldeias Seguras

Associação de Proteção e Socorro fala de "um programa falacioso que não acrescenta segurança, mas antes uma falsa sensação de segurança".

O programa Aldeias Seguras - Pessoas Seguras "é uma brincadeira", condena o presidente da Associação de Proteção e Socorro (APROSOC). "Isto é brincar à Proteção Civil."

As críticas de João Paulo Saraiva surgem depois de noticiado que, no âmbito deste programa, a Proteção Civil distribuiu às populações de aldeias mais de 70 mil kits contra incêndios compostos por golas inflamáveis e que não protegem do fumo.

Em declarações à TSF, o presidente da APROSOC fala de "um programa falacioso que não acrescenta segurança, mas antes uma falsa sensação de segurança".

Mais do que os materiais sem utilidade prática, fazem falta outras coisas neste kit, como "radiocomunicações cidadãs para que as pessoas se possam coordenar e pedir ajuda", considera.

Para o responsável, tanto o kit como o programa Aldeias Seguras - Pessoas Seguras é "manifestamente insuficiente face às necessidades das populações."

"É necessário preparar com equipamento adequado, formar e treinar as pessoas. E isto ainda não está a ser feito". As recomendações da APROSOC e outras associações foram ignoradas pelo Governo, condena ainda.

Os kits distribuídos pela Proteção Civil nas localidades abrangidas pelo programa Aldeias Seguras - Pessoas Seguras inclui uma golas de proteção para o rosto e pescoço que, além de inflamáveis, não protegem do fumo, podendo constituir um perigo caso sejam utilizadas num incêndio.

São compostas por 100% de poliéster, não têm efeito de filtro contra o fumo, são quentes e "cheiram a cola", descrevem, em declarações ao Jornal de Notícias, dois oficiais de segurança do distrito de Castelo Branco.

João Paulo Saraiva conhece este tipo de golas buff: são usadas para proteger o rosto e pescoço do frio ou calor. Não importa que sejam inflamáveis, diz, estes materiais não se destina a usar em contacto com o fumo ou fogo.

Contactada pela TSF, a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) reafirma que os artigos contidos no kit não são adequados para um cenário de fogo real - servem apenas para "sensibilizar" as populações.

"Estes materiais não assumem características de equipamento de proteção individual, e muito menos de combate a incêndios. Trata-se sim de material de informação e sensibilização sobre como devem agir as populações em caso de incêndio", refere a Proteção Civil em comunicado.

"Trata-se da primeira grande campanha nacional orientada para a autoproteção da população relativamente ao risco de incêndio rural, bem como à sensibilização para as boas práticas a adotar neste âmbito."

À TSF, Um representante do fornecedor, a empresa Foxtrot Aventura, garante que "respeitou o pedido no caderno de encargos" da ANPC.

A TSF contactou também o Ministério da Administração Interna, que remete para a ANPC.

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