Linhas elétricas causam 29 acidentes aéreos em 20 anos

Acidente mortal da última semana, em Valongo, foi o último de uma longa série de acidentes com aeronaves de combate a incêndios florestais.

Em duas décadas, desde 1999, registaram-se 29 acidentes com meios aéreos de combate a fogos que tiveram como causa o embate em cabos, matando seis pessoas e ferindo outras onze. As estatísticas sobre o embate em cabos constam de uma apresentação do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAFF) feita num seminário organizado por esta entidade em 2018, a que se soma, agora, outra vítima mortal de mais um acidente, na semana passada, em Valongo.

Seguindo as preocupações dos pilotos, já em 2018 o GPIAFF alertava para o problema, emitindo recomendações que apontavam, depois da análise de alguns acidentes, para a necessidade de uma melhor sinalização das linhas elétricas.

No recente caso de Valongo a origem do acidente esteve, de novo, numa linha elétrica onde o helicóptero embateu. No entanto, ao que a TSF apurou, esta linha não precisava de sinalização pois existia uma outra, paralela, que estava bem sinalizada. Ou seja, a sinalização da linha não terá estado na origem do acidente que matou o piloto, único ocupante do helicóptero.

Pilotos pedem mais sinalização

O comandante Filipe Conceição e Silva, investigador de acidentes aéreos na Associação dos Pilotos Portugueses de Linha Aérea, defende que de facto tudo indica que no caso de Valongo a falta de sinalização não tenha estado na origem do acidente.

Contudo, o especialista garante que continuam a existir muitos sítios pelo país que estão mal sinalizados, agravando o perigo de acidentes com meios aéreos de combate a incêndios e causando grandes sustos aos pilotos.

Filipe Conceição e Silva fala em situações "perigosíssimas" que podiam ser evitadas com mais sinalização ou enterramento as linhas, sendo que nem todos os incidentes chegam aos registos oficiais de acidentes do GPIAAF que apenas conta os acidentes com consequências mais graves.

O investigador de acidentes dá o exemplo das autoestradas onde todas as linhas elétricas estão sinalizadas com bolas, devendo acontecer o mesmo, pelo menos, em rios e barragens usadas para recolher água de combate aos fogos. "Há imensos locais, do Algarve ao Minho, onde os cabos não estão devidamente sinalizados e noutros casos nem lá deviam estar esses cabos", conclui Filipe Conceição e Silva.

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