Má disposição e vómitos obrigam a investigar novos aviões da TAP

Tripulantes dizem que nunca viram nada assim, mas empresa garante total segurança e que casos devem-se apenas aos aviões serem novos.

Vários voos da TAP no novo avião Airbus A330neo, a mais recente 'jóia da coroa' da companhia aérea portuguesa, registaram nos últimos meses episódios, considerados por três fontes como anormais, de má disposição, enjoos e vómitos entre tripulantes e passageiros.

Os casos que a empresa prefere não contabilizar já foram comunicados à Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) e a um sindicato que até já foi ao fabricante, em França, a convite da TAP, falar com os engenheiros, mas de onde não veio totalmente descansado.

Pilotos com máscara

A TSF apurou que um dos últimos casos aconteceu na semana passada com um voo para o Brasil em que a tripulação se sentiu mal no final da viagem.

Uma das pessoas que viajou nesse avião adianta mesmo que se aperceberam que os pilotos acabaram por aterrar de máscara para garantirem que tinham o ar adequado, algo que levantou ainda mais preocupações e que já teria acontecido noutros voos.

Fonte oficial da ANAC apenas confirma, por agora, que já receberam relatos de ocorrências dentro destas aeronaves da TAP, estando a trabalhar com a empresa para perceber a origem dos problemas.

Os relatos feitos à ANAC foram, por sua vez, como é normal, encaminhados para a Agência Europeia para a Segurança da Aviação (EASA) que avalia (e certifica) a segurança dos aviões no espaço aéreo europeu.

O problema, segundo apurou a TSF junto de outra fonte da área da segurança aérea (que preferiu não se identificar), pode estar relacionado com uma renovação insuficiente do ar dentro do avião, o que faz com que este se degrade, atingindo valores que podem causar indisposições no final de viagens longas, intercontinentais - um problema que já se detetou neste tipo de avião e que está a ser estudado pela Airbus.

A origem do problema, adianta a mesma fonte, estará, segundo se suspeita, na forma como é feita neste avião, considerado inovador, a passagem do ar captado pelo motor para dentro da aeronave.

Uma dezena de queixas

A presidente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) confirma à TSF que já receberam cerca de uma dezena de relatos deste tipo vindos de tripulantes preocupados por "não se sentirem nas melhores condições físicas quando voam nestes aviões, tal como alguns passageiros".

Luciana Passo explica que depois disso questionaram a empresa que por sua vez confirmou que já tinha tido outros relatos do género, convidando este sindicato e o dos pilotos para irem a França falar com os engenheiros da Airbus que já tinham sido questionados pela TAP para explicarem o que se passava no A330neo.

"Fomos informados de que os relatos que tinham chegado da TAP estavam a ser analisados, tal como os motores e as medições, e que no final de julho haveria, eventualmente, conclusões, mas que até agora o que tinham conseguido apurar é que nada de extraordinário se passava e que os elementos recolhidos estavam dentro da normalidade e legalidade", explica a responsável do sindicato.

Tripulantes nunca viram nada assim

Depois da ida a França, os relatos de problemas continuaram a chegar ao sindicato, que continua a encaminhá-los para a empresa. Tal como outra tripulante que falou com a TSF, Luciana Passo refere que em décadas de aviação nunca viu um caso deste tipo em aeronaves da TAP ou de outra companhia aérea, sendo, de facto, "estranho", continuando preocupados "pois os casos não pararam", apesar de "acreditar que tudo está a ser feito da melhor maneira".

"É evidente que há tripulantes e passageiros que enjoam em determinadas fases de voo com turbulência mais moderada ou mais severa, mas os relatos que temos não têm a ver com isso e sim com o decurso normal de voos de longa duração e longo curso operados neste tipo de equipamento", detalha Luciana Passo.

TAP garante total segurança

Na resposta enviada à TSF, a TAP garante que o "A330neo é um avião com todas as certificações", com "total segurança" e com as "cabinas fabricadas de forma a prevenir qualquer tipo de contaminação do ar".

Sem confirmar ou desmentir enjoos ou o episódio relatado à TSF de pilotos que aterraram com máscaras no Brasil, a companhia aérea de bandeira admite apenas que podem ter sido "detetados alguns odores provenientes do equipamento de ar condicionado", afirmando que este "é um fato considerado normal em aeronaves novas e que desaparece logo após as primeiras utilizações".

"Todas as análises feitas pela Airbus com o apoio de laboratórios independentes indicam que os parâmetros de qualidade do ar estão dentro do normal na indústria", diz a empresa, sendo que "a experiência e conforto relativamente à circulação do ar no A330neo é igual à da anterior geração A330".

A companhia aérea acrescenta que, apesar dos casos relatados, "os testes já realizados, tanto pela TAP, como pela Airbus, não permitem estabelecer qualquer correlação entre estes episódios e uma hipotética, mas não demonstrada, deficiência na circulação e renovação de ar".

Finalmente, a TAP sublinha que "nunca colocaria os seus clientes e trabalhadores numa situação de risco para a sua saúde".

Um avião inovador

A TAP tem-se orgulhado de ser "a primeira operadora do mundo a voar o novo A330-900neo", tendo neste momento uma dezena de aviões deste tipo com mais 11 a caminho.

A empresa anuncia a aeronave como estando "equipada com a cabina AirSpace by Airbus que, para além de um design inovador, é ainda mais silenciosa e espaçosa e fornece ainda iluminação aperfeiçoada e adaptada a cada fase de voo, contribuindo significativamente para o aumento do conforto do passageiro".

Outro ponto forte, segundo a empresa, serão os motores "consideravelmente mais eficientes e consumindo em média menos 17% de combustível por cadeira que a geração anterior de aeronaves, resultando ainda numa redução muito significativa das emissões de CO2 e ruído".

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