O médico de família que faz mais de 300 quilómetros para não abandonar os doentes

"Enquanto der eu faço-o pois gosto daquilo que faço, mesmo que com umas olheiras do tamanho do mundo", conta o médico de família itinerante.

Durante quase dois anos Óscar Barros fez cerca de 350 quilómetros por dia, entre Coimbra onde vivia com a família e Aveiras de Cima, na Azambuja, onde era (e ainda é) médico de família.

Os colegas diziam-lhe que não fazia sentido uma viagem tão longa que cansaria qualquer um, mas Óscar explica que valia todo o esforço por uma população que vive numa zona de onde muitos médicos de família 'fogem' e que se queixava, com frequência, que dificilmente algum parava por ali.

Recentemente a mulher (que também é médica de família) foi para Braga e a casa da família avançou ainda mais para Norte, mas Óscar não quis abandonar os seus utentes de uma área rural e com uma média etária elevada de 72 anos: pediu às chefias uma redução de horário e passou a concentrar todas as consultas entre segunda e quarta-feira, fazendo apenas uma vez por semana o percurso de ida e a seguir volta entre Braga e Aveiras de Cima.

"Vale o esforço", afirma, sem hesitar, Óscar Barros, neste Dia Mundial do Médico de Família, sublinhando que custava-lhe deixar os 1500 utentes com quem já tinha feito um trabalho de dois anos.

"Não é fácil, mas enquanto der eu faço-o pois gosto mesmo daquilo que faço. Saiu sempre do trabalho com um sorriso na cara como uma criança que tem um brinquedo novo, mesmo que com umas olheiras do tamanho do mundo pois ando bastante cansado", relata.
"Eu gosto daquilo e sinto-me realizado...", recordando que de início, quando chegou, "ouvia diariamente frases como 'os médicos nunca param aqui'..."

A visão romântica do médico de família

Numa altura em que há 750 mil portugueses sem médico de família, Óscar Barros é um dos recém especialistas colocados nos últimos anos em zonas carenciadas daquele que deve ser o clínico mais próximo das famílias portuguesas.

Óscar diz que escolheu esta especialidade, que no passado era vista como uma espécie de última escolha, porque é a que permite uma maior proximidade às pessoas, numa "visão romântica" da medicina geral e familiar que pode actuar precocemente evitando doenças mais complicadas, "um dos factores que me deixa apaixonado pela especialidade".

Somos a "porta de entrada do Serviço Nacional de Saúde", estamos no "meio da população" "junto daqueles que precisam".
Além de médico, propriamente, o médico de família, conta Óscar Barros, também é um confidente: "alguém que está lá e que pode dar uma ajuda nem que seja para desabafar, numa relação que é um luxo de proximidade com os utentes".

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