Já há nascentes onde só corre uma "lagrimazinha"

As barragens do Caia e de Alqueva mantêm reservas para mais uns meses, mas as nascentes e os aquíferos começam a dar sinais de fraqueza. E cada bovino consome cerca de 90 litros de água.

As nascentes e os furos estão a funcionar como uma espécie de abono de família para a produção agropecuária de João Mendes. "Não temos hipótese de ir buscar a mais lado nenhum. E se esses falharem é mais um prejuízo grave aqui para a nossa zona", anuncia o produtor de Elvas.

E é, precisamente, esse prejuízo que já "bate à porta". A seca que cruzou o inverno e a primavera no Alentejo traduz uma séria ameaça para o abeberamento do gado, numa altura em que já há nascentes que deitam apenas uma "lagrimazinha", segundo a expressão a que recorre João Mendes para ilustrar as dificuldades de quem gere 400 vacas e 300 ovelhas.

Com o calor a apertar, cada bovino pode consumir até 90 litros de água, o que, multiplicando pelas 400 cabeças, totaliza um consumo diário de 36 mil litros. "Temos também a questão dos furos, cuja capacidade é sempre uma incógnita, onde a água também pode escassear, de um momento para o outro. Se isso acontecer podemos ter graves problemas para abeberamento da pecuária", alerta.

Porém, os dias de crise estendem-se até à alimentação para os animais, numa altura em que o quilo da palha já custa entre nove a 10 cêntimos, quando há um ano não ia além dos dois a três. E já é muito pouca a que está à venda. "As pessoas já estão a aproveitar palhas de tudo", revela, dando o exemplo do milho, da ervilha e, em breve, do próprio tomate.

"Dantes não se aproveitava nada disto para as vacas, mas agora aproveita-se tudo, porque, por exemplo, na nossa casa fiquei a zero nos casões", diz João Mendes, aludindo ao alimento para o gado, depois de já ter recorrido a Espanha para comprar feno. "Custou um disparate de dinheiro", lamenta.

Já quanto aos apoios do Estado, o produtor diz que "ainda não chegou nada" à sua casa agrícola, enquanto deixa um recado a quem representa os agricultores. "Vejo a CAP - Confederação dos Agricultores de Portugal - atrás da ministra da Agricultura e do Presidente da República, em Santarém. Não vejo a CAP a fazer mais nada, não se ouve uma palavra da CAP", diz, alertando que o estado a que chegou a agricultura reclama outra atitude.

Ou seja: "Temos de combater, temos que ir a para frente. Se for preciso, temos que fazer manifestações, tem de se fazer como era dantes", diz o produtor de Elvas, para quem "está tudo no sossego", estranhando que nem se tenha falado no preço do gasóleo "que é uma loucura", adjetiva.

João Mendes sugere que, pelo menos, o Estado dê uma ajuda para o combustível, recordando que do lado espanhol os colegas já têm um desconto de 20 cêntimos por litro.

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