Maioria dos portugueses não tem ciclovias para o trabalho ou escola

"Barómetro Observatório ACP, TSF e JN" revela que mais de metade dos cidadãos não tem acesso a bicicletas e trotinetes perto do local onde reside ou trabalha. Mais de metade sem acesso a ciclovias que lhes permitam ir trabalhar, para a escola ou fazer compras

A maioria dos portugueses não tem acesso a bicicletas e trotinetes perto do local onde reside ou trabalha. É uma das principais conclusões do "Barómetro Observatório ACP, TSF e JN" que indica também que grande parte dos inquiridos não tem acesso a ciclovias para realizar tarefas do dia-a-dia, como deslocar-se até ao trabalho, escola ou parques infantis.

Os dados do estudo revelam que 56% cento dos inquiridos garantem que não têm ciclovia em nenhuma parte do percurso para o trabalho ou para a escola e 60% não têm acesso a essas vias para irem aos locais onde costumam fazer compras.

Por outro lado, mais de dois em cada três inquiridos não têm acesso a bicicletas e trotinetes perto do local onde trabalham ou residem, ainda que tenham maior facilidade de acesso a bicicletas (32%) do que a trotinetes (26%).

Pelos dados do "Barómetro Observatório ACP, TSF e JN", a maioria dos portugueses diz saber andar de bicicleta (85%), ainda que a maior fatia (57%) já não o faça há mais de seis meses. E cerca de metade, 27%, dizem mesmo ter andado de bicicleta pela última vez há mais de três anos.

No estudo, 39% dos inquiridos assumem não ter nenhuma bicicleta no agregado familiar, enquanto 61% referem ter pelo menos uma.

As bicicletas elétricas são um veículo muito pouco utilizado - apenas 6% dos inquiridos utilizam -, mas 41% já usaram ciclovias. Talvez por isso são mais os portugueses que consideram que o investimento em mais ciclovias - 56% dos inquiridos - e o aumento do número de bicicletas normais - 48% dos inquiridos - merecem uma maior aposta por parte das autarquias.

No capítulo da segurança, a esmagadora maioria dos inquiridos (91%) considera que o uso de capacete em bicicletas e trotinetes devia ser obrigatório. Ainda que 66% acreditem que já é obrigatório no caso das bicicletas e 61% no caso das trotinetes.

Em caso de acidente, se o condutor da bicicleta ou da trotinete for culpado, os inquiridos dividem-se em relação a quem terá de pagar os custos: entre os 43% e os 39% consideram que a responsabilidade é do utilizador de bicicleta ou trotinete, quer em relação aos estragos na bicicleta/trotinete, passando pelos cuidados médicos prestados ao utilizador, quer aos estragos no automóvel envolvido. Percentagens pouco acima das respostas de quem entende que os encargos são do seguro do veículo de duas rodas, que se situam entre os 36 e os 38%.

Numa análise ao "Barómetro Observatório", Carlos Barbosa, presidente do Automóvel Clube de Portugal (ACP), defende que as cidades portuguesas não são propícias à existência de ciclovias.

"As ciclovias que das diversas cidades em Portugal foram ciclovias feitas à pressa por causa da moda da bicicleta e as cidades não estavam, a maior parte delas, construídas de maneira a fazê-lo nem com vias suficientemente largas para poderem ter ciclovias", explica o responsável do ACP, em entrevista à TSF, acrescentando que "obviamente, não havendo ciclovias as pessoas não utilizam a bicicleta".

Num olhar mais abrangente e tendo em conta o contexto atual, Carlos Barbosa salienta que "sobretudo agora, depois desta pandemia, as pessoas vão querer estar mais protegidas e o uso do automóvel vai ser aumentado, quando devia ser reduzido".

Lembrando que "não é proibida a circulação de ciclistas nas estradas", o presidente do ACP nota ainda, na análise que faz ao estudo, que a utilização de bicicletas e trotinetes não é tão frequente como se pensa.

"Dois em cada três inquiridos não têm acesso a bicicletas, quer perto de onde trabalham, quer perto de onde residem, há apenas 6% de utilização de bicicletas elétricas - o que me surpreendeu, porque julguei que fosse mais -, e apenas 57% das pessoas andaram de bicicleta nos últimos seis meses", refere, salientando que os portugueses "não utilizam tanto as bicicletas, como alguém quer fazer, crer por causa da crise".

Ficha técnica

O "Barómetro Observatório" foi realizado pela Pitagórica para o ACP, a TSF e o JN com o objetivo de caracterizar a mobilidade dos portugueses. O trabalho de campo decorreu entre os dias 13 e 21 de março, foram realizadas 605 entrevistas telefónicas a que corresponde uma margem de erro máxima de +/- 4,07%. A amostra foi recolhida de forma aleatória junto de eleitores portugueses recenseados e devidamente estratificada por género, idade e região.

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