Mais casos de violência contra idosos pode significar mais atenção para o problema

No primeiro trimestre do ano, a PSP abriu 3684 processos de violência contra idosos. Para a APAV, o número pode não representar um aumento das situações de violência, mas uma subida no número de denúncias.

"Tem-se notado um aumento dos casos, quer de pessoas idosas que recorrem à Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) para receberem apoio, quer de denúncias feitas às autoridades, tanto PSP como GNR", admite Marta Carmo, jurista da APAV, no Dia Mundial da Consciencialização da Violência contra a Pessoa Idosa.

No entanto, sublinha, o aumento de casos "não significa automaticamente mais crime ou situações de violência, pode significar também que existe um aumento da sensibilização para a temática e uma maior visibilidade do fenómeno".

No ano passado, a linha de atendimento da APAV recebeu 926 denúncias de casos de violência contra idosos. Já a Linha do Cidadão Idoso, do Provedor de Justiça, teve 737 denúncias nos primeiros três meses do ano, sendo que em 2018 recebeu 2557 chamadas, a maioria referentes a violência doméstica e a maus-tratos na família, avança a edição deste sábado do Jornal de Notícias .

Números que sofrem um agravamento nos dados da PSP que só nos primeiros três meses de 2019 já abriu 3684 processos de violência contra idosos, tendo sido identificadas 3778 vítimas. No ano passado, a PSP sinalizou 16206 idosos vítimas de violência, ou seja, uma média de 44 idosos por dia, e foram abertos 15997 processos.

Para a jurista da APAV o caminho passa por "sensibilizar a população em geral, sensibilizar as pessoas idosas para saberem exatamente que tipo de situações podem enquadrar como violência ou crime, sensibilizar e formar os profissionais que cuidam das pessoas idosas, sinalizar o 'burnout' destes profissionais para evitar situações que resultem em violência, mais apoios às famílias, melhorar também a resposta institucional e, num sentido mais macro, criar políticas públicas que trabalhem melhor as respostas que existem para as pessoas idosas".

Marta Carmo sublinha ainda que este tipo de violência continua a ser "escondida" porque acontece sobretudo no meio familiar, ou seja, situações em que o idoso está dependente do agressor. "Na verdade, muitos familiares são os chamados cuidadores informais e temos situações em que o familiar é quem cuida da pessoa idosa mas é também o agressor".

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de

Patrocinado

Apoio de