Mais de 49 mil alunos colocados no Ensino Superior

Curso de Engenharia Aeroespacial teve a nota de admissão mais alta da primeira fase do concurso. Há 1555 novos estudantes de medicina.

A primeira fase do Concurso Nacional de Acesso ao ensino superior resultou na colocação de 49.452 alunos nas instituições portuguesas, o segundo maior número de colocados dos últimos 30 anos.

Os dados das colocações, conhecidos este domingo, revelam que o curso com a nota de ingresso mais elevada é o de Engenharia Aeroespacial no Instituto Superior Técnico, em Lisboa: o último colocado tem nota de 190,5 em 200. Seguem-se Medicina no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (190,3) e Engenharia e Gestão Industrial na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (189,8).

Há ​​​​​​6820 novos estudantes em cursos de áreas de competências digitais e 21.401 estudantes colocados em áreas STEAM - Ciências, Tecnologias, Engenharia, Artes e Matemática.

O número de estudantes colocados em cursos de medicina é de 1555, apenas mais sete do que no ano passado e mais 44 do que em 2019.

O número de vagas sobrantes desta 1.ª fase do Concurso Nacional de Acesso é de 6393.

Governo estima 100 mil novos estudantes até ao final do concurso

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, estima que até ao final do processo, incluindo o sistema privado, devam entrar no ensino superior "mais 100 mil novos estudantes". Para já, assinala em declarações à TSF, este "é o segundo ano consecutivo em que temos cerca de 49 a 50 mil estudantes colocados na primeira fase" do Concurso Nacional de Acesso, mas o objetivo do Governo passa por ter "seis em cada dez jovens de 20 anos" a estudar neste nível de ensino - atualmente são cerca de cinco em cada dez - e "qualificar a população adulta".

A adesão ao ensino superior aumentou, em particular nas "áreas digitais e nos programas de ciência e tecnologia, engenharia e matemática", com cerca de 50% dos estudantes a entrarem na sua primeira opção de candidatura e 82% a ingressar numa das três primeiras opções.

O ano nas instituições portuguesas começa de forma "particularmente simbólica", já que está, como assinala o ministro, "associado à retoma das atividades presenciais no ensino superior". Nesse âmbito, Manuel Heitor pede que esta seja uma "retoma responsável", até porque este vai ser um ano "diferente".

"A vida pós-pandemia é, certamente, muito diferente da vida antes da pandemia", sublinha o governante, assinalando que, mesmo em tempos de pandemia, "tivemos um crescimento inédito em Portugal do ensino superior", que considera estar associado "à consciência das famílias, mas, sobretudo, dos jovens, de que estudar vale a pena". Assim, analisa, Portugal está num "trajeto para uma sociedade mais qualificada".

"Hoje, 52% dos jovens de 20 anos estão no ensino superior", o que representa, diz, "um grande avanço face àquilo que era a situação em Portugal há dez anos".

Sobre outro dos desígnios do Governo, de abrir mais três cursos de medicina, Manuel Heitor sustenta que é importante formar mais médicos "em Portugal e no mundo" e realça que apesar de existir, "cada vez mais, uma esperança de vida crescente - resultado da aplicação da ciência à qualidade de vida -, também temos uma população crescente".

Porto domina o top

A Universidade do Porto domina o top 5 dos cursos com as notas de admissão mais altas do país - com três cursos - e o vice-reitor José Castro Lopes não esconde a satisfação. "Estamos, obviamente, contentes com o resultado do concurso nacional de acesso, porque, de facto, três dos cursos do top 5 [dos cursos mais procurados] são da Universidade do Porto: os dois cursos de Medicina, do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar e da Faculdade de Medicina, e o curso de Engenharia e Gestão Industrial da Faculdade de Engenharia. Para além disso, temos também a média mais elevada no conjunto dos 52 cursos. É a afirmação de que os estudantes veem na Universidade do Porto uma universidade de excelência e, a nós, deixa-nos muito satisfeitos, mas também com uma grande responsabilidade."

José Castro Lopes assinala também como "muito interessante" que este ano o curso de Línguas e Relações Internacionais esteja no top 10. "Mostra que, embora os estudantes ainda procurem aquelas áreas mais tradicionais, também já estão a diversificar os seus interesses e a procurar outras áreas que também são muito importantes para o desenvolvimento do país", analisa.

Sobre o objetivo do Governo de criar cursos de Medicina mais curtos, o vice-reitor da UP defende que a ideia do executivo "baseia-se em alguns factos que não estão devidamente comprovados".

"Não temos a certeza de que sejam necessários mais cursos de medicina em Portugal. Teríamos condições para abrir mais vagas de Medicina se fossem dadas condições às universidades públicas para o fazer. Eu receio que estejamos a formar jovens médicos ou para o desemprego ou para a emigração", lamenta, antes de avançar com algumas explicações. "Estamos estrangulados em termos de edifícios, em termos de salas para os estudantes. Estamos no limite das nossas capacidades em termos de instalações e também em termos de docentes, porque o financiamento que é atribuído às universidades continua a ser insuficiente."

Ensino politécnico com "anos extraordinários"

O ensino politécnico recebeu, este ano, 19.422 alunos, um número que se traduz no melhor resultado desde o século passado, como sublinha o presidente do Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos, Pedro Dominguinhos.

"Estamos a falar de um crescimento [dos alunos em politécnicos] de 2,5% face a 2020 e de 25% face a 2015, portanto, é um número expressivo. Globalmente, desde 2015, estamos a falar de mais cerca de 2500 estudantes e este ano estamos a falar de mais cerca de 150 estudantes, quando, em todo o ensino superior houve uma diminuição de cerca de 1500 colocados face a 2020", conta em declarações à TSF. Tanto 2020 como 2021 são, no entender de Pedro Dominguinhos, "anos extraordinários do ponto de vista do número de candidatos ao ensino superior".

O número de alunos colocados em instituições do Interior do país também aumentou, algo que "demonstra a resiliência" destas instituições e, "sobretudo, uma estratégia continuada que os politécnicos têm vindo a desenvolver nos últimos anos". Nestas regiões, assinala, os politécnicos têm "ensino de qualidade, maior qualidade de vida, bolsas de estudo", características que permitem atrair jovens para zonas que carecem deles.

"Este é um movimento necessário para a coesão territorial, um movimento necessário para o desenvolvimento económico do país, sobretudo em articulação com as autarquias e com as empresas", destaca o representante dos politécnicos têm, hoje em dia, como explica, "ecossistemas empresariais" - são disso exemplos Castelo Branco, Viseu, Bragança e Portalegre. Há "empresas multinacionais na área da tecnologia que viram nos politécnicos parceiros fundamentais para formar recursos humanos qualificados e permitir a atração de outras valências", uma estratégia "fundamental para criar maior competitividade".

Para concretizar estas ideias, iniciou-se na semana passada a discussão pública das propostas das instituições de ensino superior com vista a obter financiamento dos fundos do Plano de Recuperação e Resiliência. As propostas, defende Pedro Dominguinhos "são reveladoras da ambição das instituições em apostar na formação ao longo da vida".

*com Rita Carvalho Pereira, Rita Costa e Ana Maria Ramos

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