"Mais riscos do que alguns médicos." Administrativos queixam-se de não terem prioridade na vacina

Os funcionários administrativos do setor da Saúde defendem que estão muito expostos ao coronavírus no serviço e atacam os critérios de prioridade definidos.

A Associação Sindical do Pessoal Administrativo da Saúde (ASPAS) queixa-se de que estes funcionários estão a ser preteridos na vacinação contra a Covid-19, quando correm riscos semelhantes aos dos profissionais de saúde.

Em declarações à TSF, o dirigente sindical Luís Garbulho garante que o pessoal administrativo está tão em risco quanto os médicos, enfermeiros e auxiliares de saúde.

"Muitos administrativos foram contaminados no serviço logo na fase inicial. Partir do princípio que a pessoa, por ser administrativa, não corre os mesmos riscos, é um entendimento errado", defende Luís Garbulho.

"Os administrativos estão no atendimento. Os administrativos estão ao balcão e são a primeira pessoa a quem o utente se dirige e, muitas vezes, sem meios de proteção. Isso acontece, por exemplo, em muitos centros de saúde, em que nem sequer têm um acrílico à frente. E esses estão a ser preteridos em termos de vacinação", expõe o sindicalista.

Luís Garbulho considera que não se podem estabelecer prioridades em função de "classes", sob pena de se "incorrer em erro".

"Ainda hoje estive a falar com um administrativo que está a trabalhar num serviço de diagnóstico e terapêutica, onde manipula produtos que estão contaminados. Os auxiliares [desse serviço] foram vacinados, e o administrativo, que manipula também, não está na lista das prioridades (...). Estão a ser preteridos a outras classes, quando correm riscos semelhantes", contou.

"A prioridade deve ser em função daquilo que cada um faz e daquilo a que cada um está exposto. Há administrativos que estão mais expostos, se calhar, do que até alguns médicos", sublinha.

A associação sindical está a recolher elementos para expor o caso ao Ministério da Saúde.

Já contactado pela TSF, Francisco Ramos, coordenador do plano de vacinação contra a Covid-19, não quis comentar este caso concreto, mas lembra que o plano de vacinação prevê que as prioridades sejam definidas por contexto de trabalho e não por categorias profissionais.

LEIA TUDO SOBRE A PANDEMIA DE COVID-19

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de