"Estamos a adiar o inevitável." Epidemiologista defende fecho de escolas a partir dos 12 anos

Professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Manuel Carmos Gomes, diz à TSF que manter as escolas abertas "tem um preço de levarmos muito mais tempo de chegarmos ao pico desta vaga".

A transferência dos alunos do regime presencial para o ensino à distância nas escolas continua a ser um dos temas que divide a opinião dos especialistas. O primeiro-ministro anunciou novas medidas adicionais de combate da pandemia, mas António Costa afirmou que as escolas se mantêm abertas.

Em reação a esta posição tomada no final do Conselho de Ministros, o professor Manuel Carmo Gomes considera, em declarações à TSF, que o país "está a adiar o inevitável", baseando-se na incidência de novos casos entre a faixa etária mais baixa.

"Estamos apenas a adiar o inevitável. Compreendo as razões que o primeiro-ministro invocou, tem a ver com consequências educacionais do fecho. Neste caso, seria um fecho de aproximadamente de quatro, cinco semanas, depois avaliaria a situação, mas atendendo a forma como tem evoluído a incidência por idade, eu recomendaria que tivesse havido um fecho a partir dos 12 anos", refere o epidemiologista à TSF.

O professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa esclarece que era preferível colocar os alunos a partir dos 13 anos e os estudantes do ensino superior no regime de ensino à distância, sublinhando que a atual situação da pandemia "é de emergência". "Está a aumentar muito rapidamente, com consequências nos hospitais e devíamos adotar um princípio da precaução", alerta o especialista.

Para Manuel Carmo Gomes, a escolha do Governo em manter as escolas abertas "tem um preço de levarmos muito mais tempo de chegarmos ao pico desta vaga". "Vão ser muitas semanas, as mais duras que vamos ter nesta pandemia", sublinha.

Em relação ao momento crítico atual, o professor da Universidade de Lisboa diz que, com base nos estudos matemáticos, nas próximas semanas o país pode atingir na próxima semana "os 14 mil casos por dia, com 5600 internamentos, mais de 760 de doentes em Unidades de Cuidados Intensivos. Por outro lado, Manuel Carmo Gomes estima "200 óbitos" por dia.

António Costa anunciou esta segunda-feira medidas adicionais para combater a pandemia, numa altura em que Portugal é o país com maior número de casos por milhão de habitantes. O primeiro-ministro admitiu mesmo que este "é o momento mais grave da pandemia", numa altura em que os hospitais sofrem uma grave pressão.

Entre as medidas adotadas no final do Conselho de Ministro realizado esta segunda-feira está a proibição de circulação entre concelhos ao fim de semana, venda ao postigo entre outras regras.

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