Medir regularmente a quantidade da molécula IL-6 ajuda a antecipar e combater a Covid-19

O estudo de três investigadores portugueses foi publicado numa revista especializada, a Frontiers in Immunology.

Uma equipa de investigadores da Universidade do Minho mediu a quantidade da molécula IL-6 em doentes hospitalizados com o coronavírus e concluiu que os níveis dessa molécula aumentam quando a doença se agrava. Isto possibilita prever se o doente vai precisar de um ventilador ou se está a melhorar, permitindo ajustar o tratamento.

Ricardo Silvestre, investigador do Instituto de Ciências da Vida e da Saúde, da Universidade do Minho, explica, em entrevista à TSF, que a molécula IL-6 "existe em concentrações relativamente baixas e está presente no nosso sangue, nos nossos órgãos".

O investigador esclarece que "o que acontece é que, em casos em que surge, por exemplo, uma infeção como o caso do SARS-CoV-2, como um caso de inflamação ou mesmo um trauma, o nosso sistema imunológico tem de reagir perante este dano, e uma das coisas que faz é produzir uma série dessas moléculas que permitem haver uma resposta".

Isto é, no caso do SARS-CoV-2 (o vírus que provoca a infeção Covid-19) "há uma produção exagerada de uma série de moléculas" e "esta produção de grandes quantidades vai contribuir para um fenómeno que se chama de tempestada de citocinas e aquilo que, teoricamente, seria protetor acaba por ser um quadro hiperinflamatório, que contribui para a lesão e para a patologia".

Há medicamentos para combater a tempestade de citocinas. Por isso, os investigadores dizem que medir regularmente a quantidade da molécula IL-6 ajuda a antecipar e combater a evolução da doença.

"A principal mensagem é insistir nesta questão de uma quantificação contínua, o seguimento destes pacientes durante a hospitalização de dois em dois dias ou de três em três dias da quantificação desta molécula para, antes ainda de haver, por exemplo, necessidade de ventilação ou um quadro mais sério, se perceber qual o prognóstico a curto prazo daquele paciente. Portanto, antecipando um pouco a chegada a um quadro mais severo da doença", sustenta.

O estudo dos três investigadores portugueses foi publicado numa revista especializada, a Frontiers in Immunology. Os testes à molécula IL-6 são feitos a partir do sangue do doente, um teste barato e com resultados no próprio dia.

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