
Miocárdio
Adelino Meireles/Global Imagens
Gravidade do caso que afeta futebolista do Benfica é rara, mas daqui a umas semanas o jogador deve voltar aos relvados.
O presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia admite que as miocardites, ou seja a inflamação do tecido muscular do coração (o miocárdio), são comuns entre quem teve Covid-19, mesmo em assintomáticos ou infetados que tiveram sintomas ligeiros, mas não devem causar alarme.
O caso mais recente e público afeta um jogador do Benfica B, o brasileiro Daniel dos Anjos, que teve de suspender, de forma provisória, a atividade de futebolista para tratar uma miocardite aguda.
O presidente da Fundação, Manuel Carrageta, explica à TSF que o problema de Daniel dos Anjos é uma forma mais grave de miocardite, fazendo sentido suspender a atividade para evitar o risco de morte súbita em competição.
No entanto, em princípio, devem ser suficientes algumas semanas de paragem para o futebolista poder voltar à atividade.
O cardiologia acrescenta que já é certo que se formos estudar com electrocardiogramas ou ressonâncias magnéticas os corações de quem teve recentemente Covid-19, vamos encontrar "pequenas alterações no coração, algo ligeiro, mas muito frequente, que não dá sequer sintomas".
Há estudos no estrangeiro, feitos junto de atletas de competição (normalmente mais sujeitos a testes e exames médicos), que revelam que "é um problema comum que, se for investigado com exames, pode afetar 30 a 40% dos atletas", "sem gravidade clínica".
Os casos graves, como o de Daniel dos Anjos, são raros e incluem uma maior inflamação do miocárdio que provoca cansaço quando se fazem esforços e aumenta o risco de morte súbita, num problema que pode surgir com outros vírus e não apenas com a Covid-19.
Em princípio, a inflamação tende a desaparecer ao fim de semanas.
Manuel Carrageta avisa, contudo, que ainda "estamos a aprender muito" sobre este coronavírus e daqui a uns tempos podemos ter uma visão diferente.
Para todos os que não são atletas profissionais e tiveram Covid-19, o presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia não aconselha a fazer qualquer exame ao coração ou procurar qualquer médico. Essa procura só deve acontecer se a pessoa, curada do coronavírus, continuar a cansar-se muito, podendo, nesse caso, ser um problema no coração, mas também no pulmão ou nos músculos... tudo provocado pela infeção que teve semanas antes.
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