Montijo vai ter a pista mais curta de todos. Não chega para aviões mais pesados da Ryanair

O Aeroporto do Montijo foi pensado para aviões das 'lowcost', mas pode ter limitações. A pista curta do futuro aeroporto está a preocupar a entidade reguladora.

A Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC), entidade que certifica os aeroportos em Portugal, admite que o comprimento da pista do futuro aeroporto do Montijo "pode ser motivo de preocupação". A explicação está no parecer lido pela TSF e enviado pela ANAC à Agência Portuguesa do Ambiente (APA) na avaliação ambiental do projeto.

O projeto previsto para o novo aeroporto prevê que a obra aumente em 390 metros a única pista que ficará em funcionamento depois da inauguração, ficando, no total, com 2.400 metros. O problema, explica a ANAC, é que esses 2.400 metros "não dão total cumprimento aos requisitos de operação da aeronave B737-800", com o regulador a sublinhar que é este o avião usado por uma das companhias 'low cost' [a Ryanair] que potencialmente operarão no Montijo".

Uma situação que "pode ser motivo de preocupação por implicar a operação do avião com limitações de carga".

A própria ANAC explica que o futuro aeroporto foi dimensionado para aviões deste tipo, pelo que o comprimento da pista pode ser um problema.

Uma análise aos outros aeroportos nacionais revela que, comparando com Lisboa, Porto, Faro, Beja, Ponta Delgada e Funchal, o Montijo será aquele que terá pista mais curta.

As limitações em termos de carga podem significar, segundo um piloto ouvido pela TSF, na prática, menos passageiros e bagagens ou menos combustível.

"Limitações operacionais"

Depois do primeiro parecer do regulador da aviação, confrontada com os receios de limitações do futuro aeroporto, a APA pediu esclarecimentos à ANAC, nomeadamente se o comprimento da pista podia impedir ou limitar a certificação do futuro aeroporto para uso civil.

Na resposta, o regulador detalha que "a situação, não sendo, à partida, impeditiva ou limitadora da certificação, poderá impor limitações operacionais no que respeita à utilização do aeroporto". Ou seja, o aeroporto do Montijo pode ser certificado com uma pista de 2.400 metros, mas a sua atividade pode ficar limitada, nomeadamente nos Boeing 737-800, únicos aviões da frota da Ryanair.

A ANAC também acrescenta que será possível aumentar a pista para 2.500 metros (para responder às necessidades desta aeronave), mas isso pode obrigar a aumentar o aterro, ganhando mais espaço ao rio Tejo, ou noutro tipo de solução, com consequências ambientais.

Nos comentários que enviou à resposta da ANAC, lidos pela TSF, a ANA - Aeroportos de Portugal, empresa que tem a concessão dos aeroportos nacionais e irá construir o aeroporto no Montijo, garante que os 2.400 metros de comprimento da pista não são um problema.

A ANA acrescenta mesmo que esse comprimento foi dimensionado tendo em conta as aeronaves das famílias A320 e B737 [os aviões habitualmente usados pelas 'low cost' mas também pela TAP e outras companhias aéreas em viagens dentro da Europa].

Além disso, a empresa garante que foram consultadas as potenciais companhias aéreas que se prevê que irão operar no Montijo, em particular o B737-800, "aeronave mais exigente nos comprimentos de descolagem e aterragem de acordo com os manuais dos fabricantes".

B737-800 terão de voar menos 463 quilómetros

A ANA confirma que o B737-800 necessita de um comprimento de descolagem de 2.500 metros, como diz a ANAC, se tiver no seu peso máximo de segurança para descolar, mas a penalização de uma pista mais curta, com menos 100 metros, corresponde a uma redução do raio de alcance da aeronave de 2.000 para 1.750 milhas náuticas.

Se fizermos as contas, trata-se de uma penalização que fará com que os aviões da Ryanair (e outros B737-800), à saída de Lisboa, tenham um alcance 462 quilómetros inferior ao que teriam se estivessem com o peso máximo.

É suficiente para voar para a Europa

As 1.750 milhas náuticas referidas pela ANA, algo como 3 241 quilómetros, conseguem, segundo a empresa, cobrir grande parte da Europa e o Noroeste de África, "incluindo as rotas da Ryanair, principal companhia que opera o B737-800".

Razões que levam a ANA a concluir que a pista do Montijo, "em conformidade com a estratégia comercial da ANA, Aeroportos de Portugal, SA, é suficiente para os destinos expectáveis e tipo de aeronaves que irão operar, não sendo assim necessário aumentar o comprimento de pista previsto e consequentemente incrementar os impactes ambientais".

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