Morreu Gonçalo Ribeiro Telles, arquiteto paisagista e figura da ecologia

Fundador do Partido Popular Monárquico e do Movimento Partido da Terra recebeu o "Nobel da Arquitetura Paisagista" em 2013.

O arquiteto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles morreu, esta quarta-feira, aos 98 anos, confirmou a Ordem dos Arquitetos à TSF. Nascido a 25 de maio de 1922, Ribeiro Telles foi também político, ecologista e professor universitário.

O projeto dos jardins da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, um dos projetos mais marcantes da carreira enquanto arquiteto, valeram-lhe o Prémio Valmor.

Uma vida política recheada

Fez parte, depois do 25 de Abril, do grupo de fundadores do Partido Popular Monárquico e foi secretário de Estado do Ambiente do I Governo Constitucional, liderado por Mário Soares. Antes, tinha desempenhado o cargo de Subsecretário de Estado do Ambiente nos I, II e III Governos Provisórios.

Foi também Ministro de Estado e da Qualidade de Vida entre 1981 e 1983, quando fez parte do Governo chefiado por Francisco Pinto Balsemão.

Em 1993 fundou o Movimento Partido da Terra, do qual foi presidente até 2007.

Ao longo da vida foi condecorado por quatro vezes. A primeira foi a 31 de outubro de 1969, quando o Presidente Américo Tomás lhe concedeu o grau de Oficial da Antiga, Nobilíssima e Esclarecida Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, do Mérito Científico, Literário e Artístico.

A 6 de abril de 1988 recebeu do então Presidente Mário Soares, a Grã-Cruz da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo e, a 10 de junho de 1990, recebeu do mesmo Presidente a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.

A mais recente condecoração aconteceu a 25 de maio de 2017, quando o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa lhe atribuiu a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.

A 10 de abril de 2013 recebeu aquele que é considerado o "Nobel da Arquitetura Paisagista": o Prémio Sir Geoffrey Jellicoe, atribuído pela Federação Internacional dos Arquitetos Paisagistas.

Marcelo evoca "lutador pelas liberdades e a democracia"

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou hoje a morte do arquiteto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles, lembrando-o como um "lutador pelas liberdades e a democracia" e uma "consciência crítica" no plano ambiental.

"Respeitado humana, profissional e politicamente por amigos, colegas e adversários, e pelos portugueses em geral, Gonçalo Ribeiro Telles deixa um legado alcançado por poucos", lê-se numa nota do chefe de Estado publicada no portal da Presidência da República na Internet.

Marcelo Rebelo de Sousa refere que, enquanto "militante político e cívico", Gonçalo Ribeiro Telles "foi fundador do Centro Nacional de Cultura e integrou vários movimentos da oposição monárquica no antigo regime, tendo sido também um dos fundadores e o mais destacado dirigente do Partido Popular Monárquico (PPM)".

O Presidente da República acrescenta que Ribeiro Telles exerceu "diversos cargos governativos na área do ambiente, nomeadamente durante os governos provisórios em 1974 e 1975, mas principalmente nos da Aliança Democrática (AD), da qual foi fundador e deputado".

No seu entender, foi uma "figura determinante na consolidação e alternativa na democracia portuguesa".

"Como ambientalista com responsabilidades públicas, representou desde cedo, e durante décadas, uma consciência crítica esclarecida, contribuindo igualmente para importantes atos legislativos como a Lei de Bases do Ambiente ou a Lei do Impacto Ambiental, combates que prolongou na fundação de um partido ambientalista, o Movimento Partido da Terra (MTP)", considera.

"Pioneiro em Portugal das grandes questões que hoje, mais do que nunca, se mostram decisivas, homem de grande serenidade e de grandes convicções, é com emoção e saudade que me despeço de Gonçalo Ribeiro Telles, amigo de longa data, a cuja família envio sentidas condolências", escreve Marcelo Rebelo de Sousa.

Costa fala de "enorme dívida de gratidão"

No Twitter, o primeiro-ministro António Costa diz que Portugal tem para com Gonçalo Ribeiro Telles uma "enorme dívida de gratidão, quer no lançamento das bases da política ambiental em Portugal, quer no desenvolvimento de uma consciência ecológica".

O chefe de Governo sublinha que Ribeiro Telles foi "um homem à frente do seu tempo" e que "as ideias que defendia há 50 anos e eram então consideradas utópicas, são hoje comummente aceites".

A sua perda, conclui, é "inestimável", mas "o seu legado, felizmente, perdura, e somos todos seus beneficiários".

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