Nostalgia e curiosidade no primeiro comboio elétrico entre Viana do Castelo e Valença

Este 25 de abril de 2021 ficou marcado na história dos passageiros que viajaram nas primeiras composições modernas a circular entre Viana do Castelo e Valença.

O comboio elétrico chegou pela primeira vez este domingo, 25 de abril, ao último troço da Linha do Minho, entre Viana do Castelo e a fronteira. A TSF viajou numa das primeiras composições que circularam pela linha já eletrificada, entre Viana do Castelo e Valença. Durante os 39 minutos de percurso, o comboio nº 831 inter-regional procedente de Coimbra B, passou por estações e apeadeiros de saudade e nostalgia, curiosidade, alegria e divertimento.

Ernesto Jacome, reformado, utilizador assíduo do caminho de ferro entre Valença e Viana, foi dos que apanhou a primeira ligação da manhã e, após a viagem, ficou na estação, a ver circular os comboios. "Foi a primeira vez no comboio elétrico. Nota-se muita diferença. Acho que é mais rápido, bem mais confortável e melhor. E faz muito menos barulho", contou à TSF, enquanto aguardávamos a chegada do inter-regional, com chegada prevista para as 10h36. O mesmo que o primeiro-ministro, António Costa, escolheu para fazer a viagem inaugural das obras de eletrificação até à fronteira. "Hoje [domingo] foi um extra. Estava curioso para conhecer e ver o andamento do comboio", disse Ernesto, à despedida.

Já a bordo, Eduardo e Maria do Carmo Araújo, avós acostumados a visitar o filho e a neta aos domingos em Caminha, notaram a serenidade do novo comboio elétrico. "Nota-se até no mexer da pessoa. O outro mexe a gente toda. Este é muito mais sereno", descreve Eduardo, enquanto a mulher se ri, sentada no banco ao lado. "Eu ia caindo contra o revisor ["O comboio balanceia um pouco e ela não se equilibrou", comenta o marido]. E um disse-me: 'Está a atirar-se para cima do revisor?'. E respondi: 'Não que eu tenho marido ali em baixo a quem me abraçar (risos)", contou divertida Maria do Carmo, que também guardar o ato de abraçar para a neta que, ao domingo, não descansa empolgada com a visita dos avós. "O meu filho não lhe conta que nós vamos, porque senão acorda às cinco da manhã, a perguntar 'Quando é que vamos buscar a avó ao comboio? Quando é que vamos buscar a avó ao comboio?'", conta.

O comboio que este domingo os levou até Caminha foi diferente dos do costume. Mais moderno. Daniel Silva, um jovem de Estarreja, foi um dos vários passageiros que quiseram fazer a viagem pela Linha do Minho, para experimentar a diferença em relação às velhas composições a diesel. "Vim ver como é que é a nova linha e experimentar o elétrico. A viagem está a ser confortável, boa e mais rápida do que antigamente. Os diesel, além de não serem confortáveis, às vezes tinham uns atrasos e avarias a meio dos trajetos. Assim é melhor", afirmou.

A curiosidade atraiu também à Linha do Minho, Fernando Monteiro de Vizela, filho de ferroviário, habituado a viajar de comboio desde criança. "Venho ver a linha até Valença. Sou curioso, gosto de ver estas novidades. Quando vi as notícias, aproveitei logo para vir. [O comboio elétrico] é outro material, mais moderno e anda com mais velocidade", apreciou, acrescentando: "E não faz tanto barulho. O outro [a diesel] era só barulho. Principalmente essas amarelas que andavam aí, até dava dó andar nelas".

Pelas contas de um técnico da CP que viajava no mesmo comboio a controlar o tempo de percurso, a ligação demorou em relação às antigas composições a diesel, menos 15 minutos.

Para experimentar os novos comboios e matar a saudade de outras viagens, Júlio Domingues embarcou em Vila Praia de Âncora. "Vim sentir a sensação deste comboio moderno. Desde criança que viajei sempre de comboio, de Monção a Lisboa. Infelizmente, acho um erro terem terminado a linha entre Valença e Monção [hoje transformada em ecopista do rio Minho]", contou Júlio, emocionado com a viagem. "É uma sensação agradável viajar neste meio de transporte secular, já do tempo da nossa monarquia. As palavras estão no meu coração. Sinto uma adrenalina elétrica por mim acima", continuou, descrevendo o comboio elétrico como "muito mais silencioso e suave"

Este 25 de abril de 2021 ficou marcado na história de Júlio e de outros passageiros que viajaram nas primeiras composições modernas a circular entre Viana do Castelo e Valença. Um troço com vista para o mar e para o rio Minho, que convida a pôr os olhos da janela enquanto o comboio desliza mais confortável e quase sem ruído, por entre o verde e o casario, até à fronteira.

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