Nova plataforma vai avaliar a saúde da população de 57 municípios

O projeto designado "Atlas da Saúde" está a ser desenvolvido por uma equipa de investigação da Universidade de Coimbra, estimando-se que esteja online daqui a dois anos.

A Rede Portuguesa de Municípios Saudáveis anunciou esta terça-feira, que vai criar uma nova plataforma para caracterizar o estado da saúde de 57 municípios. O principal objetivo é entender quais os principais problemas e ao mesmo tempo, propor políticas públicas a implementar.

"Este indicador vai-nos permitir perceber quais são os maiores problemas de saúde num determinado conjunto populacional, de forma a podermos orientar as políticas públicas para irmos corrigindo esses resultados menos positivos", adiantou à Lusa o presidente da rede de municípios, Joaquim Santos, que também é autarca na Câmara Municipal do Seixal, no distrito de Setúbal.

O projeto, designado Atlas da Saúde, começa a ser desenvolvido a partir desta terça-feira por uma equipa de investigação do Centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território da Universidade de Coimbra, estimando-se que esteja online daqui a dois anos.

Segundo o autarca, a nova plataforma vai permitir detetar, por exemplo, se num determinado concelho há um índice de obesidade infantil muito elevado, levando a autarquia a implementar medidas para prevenir estes resultados.

"Nesse caso, há que fazer um trabalho junto das famílias, das escolas, das cantinas e da educação das crianças para que possam comer de forma correta e, ao mesmo tempo, desenvolver atividades físicas e desportivas para que possamos reduzir esse nível de obesidade", explicou.

Além deste mapeamento, vai possibilitar também a "monitorização" do trabalho desenvolvido, porque vai ser "atualizada periodicamente".

De acordo com Joaquim Santos, a primeira fase do projeto passa pela identificação, recolha e análise de dados, enquanto a segunda englobará a "construção e aplicação de um índice multidimensional da saúde com capacidade para avaliar a saúde da população".

A Rede Portuguesa de Municípios Saudáveis é composta por 57 autarquias, localizadas de norte a sul do país, com quatro milhões de habitantes, pelo que a metodologia criada também terá em conta as especificidades de cada território.

"Temos grandes municípios como Lisboa e pequenos como Barrancos [distrito de Beja] e para cada um será feito um trabalho que não é igual. Vamos ter uma abordagem específica para um grupo de municípios em termos da sua dimensão populacional e do contexto em que está inserido", avançou Joaquim Santos.

Neste projeto, serão investidos 100 mil euros suportados pelos municípios, apesar de o presidente ter a expectativa de que "algures no caminho surja o apoio do Estado", até porque o trabalho elaborado "vai ser muito importante não só para os territórios, mas também para o Serviço Nacional de Saúde".

A iniciativa contempla tanto o tratamento e a prevenção das doenças, como todos os custos que estão associados. "Nós achamos que as câmaras não devem ser uns 'faxineiros' do Ministério de Saúde, mas podem fazer um trabalho junto da comunidade de apoio aos centros de saúde e hospitais", defendeu.

O Atlas da Saúde foi apresentado durante a manhã desta terça-feira, na Sala do Senado, na Assembleia da República.

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