Novo confinamento, mais brando, agrava previsões de novas infeções

Projeção apresentada no Infarmed apontava para mais de dois meses até o país regredir para 3.500 casos diários, mas a realidade arrisca-se a demorar ainda mais tempo.

As projeções apresentadas há três dias na reunião no Infarmed para a evolução da pandemia nas próximas semanas ficaram desatualizadas com o tipo de medidas que acabaram por ser reveladas, na quarta-feira, pelo Governo, para as duas próximas semanas de estado de emergência e confinamento.
As estimativas apresentadas ao Governo e outros representantes do Estado, feitas por uma equipa da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, assumiram como pressuposto que o confinamento seria muito semelhante ao aplicado em março e abril de 2020.

Para calcular o desaceleramento desta terceira vaga e posterior descida da onda, o epidemiologista Manuel Carmo Gomes - líder da equipa da Faculdade de Ciências - explicou, durante a apresentação no Infarmed, que se basearam em medidas de "confinamento total" como as aplicadas na primeira onda.
Agora, no entanto, as medidas apresentadas pelo Governo preveem mais exceções e a principal é a manutenção das escolas abertas, em todos os ciclos de ensino, o que muito provavelmente fará derrapar e prolongar a presente vaga da covid-19.

Segundo a TSF apurou, as novas medidas anunciadas pelo Governo obrigarão os especialistas da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa a refazer os cálculos e a fazer novas projeções que serão apresentadas na próxima reunião no Infarmed.

Recorde-se que a previsão apresentada na terça-feira revelava que o país iria enfrentar as "semanas mais difíceis desta epidemia", numa onda que depois de uma subida exponencial desde o início do ano iria desacelerar dos atuais 10 mil novos casos diários para um pico de cerca de 14 mil.

Com medidas semelhantes às da primeira vaga - que afinal acabaram por não ser totalmente aplicadas -, a onda começaria a estabilizar e a começar a cair dentro de duas semanas.

De 14 mil - um número "muito preocupante" para os especialistas - os novos casos diários só deviam descer para 7 mil daí a três semanas e para reduzir de novo para metade - 3.500 - seriam precisas outras três semanas.

Recorde-se que 3.500 novos casos diários era o número de infeções que se registava no final de outubro, no início da chamada segunda vaga.

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