"O diário da nossa pandemia." Quando o teatro passou a ser feito por telefone

Uma reportagem que procura o dia-a-dia daqueles que são, pela idade, as principais vítimas da covid-19.

Álvaro, António, Gil, Helena, João, Mariana, Vaz e Undina (com "U", mesmo, como a própria costuma sublinhar). Os oito fazem parte de um grupo de teatro para idosos. São eles as personagens da Reportagem TSF desta semana.

Nos primeiros meses do estado de emergência e do confinamento - em que todos, incluindo os jornalistas, devíamos ficar em casa -, a TSF acompanhou um projeto que foi obrigado a passar os ensaios de teatro de um grupo de idosos do palco para o telefone, escutando, em paralelo, os seus medos, angústias e o dia-a-dia de quem, de repente, teve mesmo, pela idade, de ficar fechado em casa.

Uma reportagem toda gravada por telefone.

Em Portugal, como mais ou menos no resto do planeta, 95% dos mortos pela covid-19 tem mais de 60 anos, cerca de 85% mais de 70 e quase 70% mais de 80.

O "Teatro ao Telefone", assim se chama o projeto que também se poderia chamar "teatro em contexto de emergência", é uma resposta urgente a um problema social e de saúde criado pela doença que parou o mundo e que tem nos mais velhos as principais vítimas.

Os idosos do Teatro de Identidades, um projeto desenvolvido pela Câmara Municipal da Amadora com a Escola Superior de Teatro e Cinema, queriam continuar a ensaiar. Confinados em casa e com os centros de dia fechados, esse objetivo seria, à partida, impossível.

Rita Wengorovius, encenadora, atriz, dramaturga, professora e dinamizadora de toda a ideia conta que os atores amadores não pretendiam parar de ensaiar e foi preciso encontrar uma "solução criativa para o problema".

Sem acesso a novas tecnologias pela Internet só restava uma solução: um telefone ou um telemóvel todos tinham. A peça deve estrear, se tudo correr bem, no final do ano...

A meta é que ninguém morra - nem de covid-19 nem de isolamento.

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