Oeiras testa à Covid-19 alunos dos três aos 12 anos com amostras de saliva

Trata-se de um método mais rápido, barato, mas à partida menos sensível. No entanto, pode resolver a lacuna de não serem realizados testes nestas faixas etárias. A autarquia de Oeiras quer descobrir se os testes a partir da recolha de saliva podem ser a solução, e está a rastrear entre as escolas públicas do concelho.

A Câmara Municipal de Oeiras e o Instituto de Tecnologia Química e Biológica da Universidade Nova de Lisboa começam esta quinta-feira a realizar testes à Covid-19, com recurso à saliva, entre os alunos com idades dos três aos 12 anos.

Todos os alunos das escolas públicas do concelho de Oeiras, desde os três aos 12 anos, serão testados, a partir de amostras de saliva. Até março, a autarquia espera testar dez mil crianças. O objetivo é despistar casos de Covid-19 na comunidade escolar, mas também aferir se há condições para recorrer de forma alargada a um teste que, à partida, é menos sensível do que o realizado com zaragatoa.

Catarina Pimentel, uma das investigadoras envolvidas no estudo, explica, no entanto, que há vantagens em testar desta forma, sobretudo crianças: "Por um lado, não é tão concentrado, isto é, nós fazemos testes diretos, diretamente a partir da saliva, não concentramos o material genético do vírus, o que os outros testes PCR convencionais fazem. Existe sempre um passo em que o material genético do vírus é extraído, e depois então é analisado, e, no fundo, isso é um passo de concentração. Nós não o fazemos, nós saltamos esse passo, fazemos diretamente a partir das amostras de saliva."

Este método "torna os testes mais rápidos e mais económicos", salienta a investigadora, em declarações à TSF. "Comparando as sensibilidades, deste teste que parte da saliva sem extração de RNA e dos testes da zaragatoa na nasofaringe com extração do material genético do vírus, achamos que tem de haver um compromisso entre a rapidez e a sensibilidade", admite, argumentando que o compromisso vale a pena. "Perdemos um bocadinho em sensibilidade, mas ganhamos em tempo, e tornamos os testes mais baratos."

As crianças que vão ser testadas têm entre três e 12 anos, idades que habitualmente ficam de fora dos testes que são feitos na escola. Também por isso os investigadores querem saber se este teste de saliva pode ser uma boa alternativa. Catarina Pimentel revela que foram montados kits de saliva, compostos por "um tubinho que as crianças levam para casa, com as instruções", e que a recolha é monitorizada pelos encarregados de educação.

"De manhã, quando acorda, [a criança] cospe para o tubinho, e depois entrega o tubinho na escola, é tão simples quanto isto. É quase como se fosse fazer uma análise de urina."

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