PAN "estupefacto" com homenagem "inadmissível" a cavaleiro João Moura

Inês Sousa Real considera ainda que é inaceitável que o Estado e a autarquia lisboeta permitam a realização de touradas no Campo Pequeno.

O PAN contesta a homenagem que esta quinta-feira vai ser feita a João Moura durante um a tourada no Campo Pequeno, em Lisboa. O cavaleiro tauromáquico aguarda julgamento acusado da alegada prática de vários crimes de maus tratos a animais, depois de, no ano passado, terem sido encontrados na sua herdade, em Monforte, 18 cães da raça galgo com sinais graves de subnutrição. A porta-voz do Partido Pessoas, Animais e Natureza, para além de contestar a realização das touradas, reage com "estupefação" à homenagem que considera "inadmissível".

"É-nos manifestamente incompreensível uma homenagem desta natureza a João Moura. Também consta do cartaz o seu filho que também foi conhecido pela prática do bull baiting, ou seja, lançar cães contra touros, uma atividade que é proibida em Portugal e que também já foi banida em Inglaterra", sustenta.

Inês Sousa Real considera ainda que é inaceitável que o Estado e a autarquia lisboeta permitam a realização de touradas no Campo Pequeno: "Nós estamos a falar de um espaço que é público. A praça de touros pertence à Casa Pia que é tutelada pelo Ministério do Trabalho, da Solidariedade e da Segurança Social, e, por sua vez, o terreno pertence à Câmara Municipal. Portanto, o Estado em parceria com a autarquia de Lisboa já poderia e devia ter acabado com a atividade tauromáquica naquele lugar, dando até mesmo lugar à reconversão da praça, como aconteceu em Barcelona com as arenas."

Para além do PAN , várias associações de defesa animal vão protestar junto ao Campo Pequeno contra a homenagem a João moura e contra as touradas.

No mesmo plano, a provedora municipal dos Animais de Lisboa, Marisa Quaresma dos Reis, manifesta, num artigo de opinião publicado no jornal Público, a sua "desilusão" com a existência desta homenagem e apela à autarquia - que aprovou no mês passado a Carta Municipal do Bem-Estar Animal - para que "estas palavras sejam consequentes e que a autarquia se pronuncie também pela indignidade do que se irá passar hoje no Campo Pequeno".

Marisa Quaresma dos Reis promete manifestar-se à porta do Campo Pequeno contra a corrida de touros de homenagem a João Moura. O cavaleiro está indiciado por maus tratos a 18 cães, num caso que chocou o país, há cerca de um ano.

Ouvida pela TSF, a provedora municipal dos animais de Lisboa afirma que são várias as associações que estão a convocar manifestações de protesto para a porta do Campo Pequeno, à hora da corrida, e garante que ela própria vai lá estar.

"Já é sabido que nos dias em que existe tourada no Campo Pequeno existem sempre manifestações à porta da praça, mas hoje é um evento diferente, é uma homenagem a um suspeito de cometer 18 crimes, pelo menos, de maus tratos a animal de companhia. Obviamente lá estarei a apoiar os manifestantes, e obviamente, sou também uma manifestante, porque me indigna profundamente que Lisboa, a capital do nosso país, ainda acolha este tipo de espetáculos e, ainda para mais, este em particular, que homenageia uma pessoa que há um ano chocou de norte a sul os portugueses", afirma.

Desde 2019 que o Campo Pequeno está concessionado ao empresário Álvaro Covões. Marisa Quaresma dos Reis considera que a mudança de concessão podia ter sido aproveitada para acabar com as touradas em Lisboa.

"Perdemos aqui uma boa oportunidade com a mudança da entidade que explora o Campo Pequeno de reformular os termos do contrato e da concessão e de terminar, de uma vez, com a realização de touradas em Lisboa. É sabido, até por sondagens feitas pela Universidade Católica, que os lisboetas não são favoráveis à realização de touradas no Campo Pequeno", diz.

A Casa Pia demarca-se da corrida de touros marcada para esta noite, no Campo Pequeno, em Lisboa. Depois das críticas do PAN e da provedora municipal dos animais de Lisboa, a Casa Pia afirma, numa resposta enviada à TSF, que não tem qualquer envolvimento na homenagem ao cavaleiro João Mora. A instituição sublinha que a praça do Campo Pequeno está concessionada a uma empresa, logo os eventos ali organizados são da exclusiva responsabilidade desse concessionário.

À TSF, o presidente da direção do IRA, que pede para não ser identificado pelo nome, afirma que é impossível não contestar uma iniciativa destas.

"Não devemos permitir que organizações autodenominadas de culturais vivam numa utopia em que o título de cavaleiro lhes dá o direito de homenagear substituindo as caracterizações e as constituições que lhe forem imputadas, nomeadamente criminais, a constituição de arguido e a aplicação dos termos de identidade e residente para realizar um evento destes em Portugal", diz.

João Moura tinha ao todo 50 cães, sendo que 18 estavam em situação gravíssima devido a fome e sede. Os animais foram retirados pela GNR e distribuídos por varias associações onde receberam tratamento. O presidente do IRA diz que os animais estão bem e aguardam luz verde para serem adotados.

Sobre a tourada que terá lugar no Campo Pequeno, o presidente do IRA lamenta que o Ministério da Agricultura, que tutela os animais de pecuária como bovinos e cavalos, não enquadre estes animais numa lei que impeça que sejam maltratados nestes espetáculos.

Em comunicado, o empresário Luís Miguel Pombeiro, CEO da empresa Ovação e Palmas, refere que "o ambiente é ótimo e será com toda a certeza uma noite de glória e glamour".

"Pedimos a todos que não respondam a provocações dos habituais manifestantes porque isso será entrar no "jogo" deles. "Estamos legais, temos as Autoridades Policiais a controlar a ordem pública e apenas temos de fazer de conta que não ouvimos aqueles que apenas tem a intenção de acabar com a Tauromaquia! A Tauromaquia é de gente civilizada, sem distinção de classes ou cores politicas que se une em torno de uma Cultura e de sentimentos e emoções que constituem a nossa forma de estar na vida. Com calma e serenidade como sempre fazemos em tudo na nossa vida. Voltamos a recordar que ainda há muitos bilhetes ao contrário dos costumeiros boatos de gente a quem não interessa que a Praça esteja cheia!", pode ler-se na nota.

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