Pandemia de quatro patas: dos abandonados aos que nunca foram tanto à rua

Há concelhos onde o abandono de animais aumentou 25%.

Uma pandemia, duas realidades díspares para os animais: se por um lado está a aumentar o número dos que são abandonados, por outro há alguns que nunca passearam tanto.

Segundo um inquérito feito pela associação Animalife, há concelhos onde o abandono de animais aumentou 25%. Ouvido pela TSF, o presidente, Rodrigo Livreiro, justifica que este é o resultado da quebra de rendimento em muitas casas.

"Mais de 55% das associações referiu que existe um aumento no número de animais abandonados", explica o responsável. A Animalife criou entretanto uma plataforma online para ajudar as associações animais que estão em dificuldades, nomeadamente por falta de voluntários e de rações. Em simultâneo há aqui uma campanha de recolha de fundos para:

- Encontrar famílias de acolhimento temporário para pessoas infetadas com o novo coronavírus que não têm com quem deixar os animais;

- Encontrar quem passeie os animais de, pessoas que por pertencerem a grupos de risco, estão limitadas nas saídas;

- Apoio à compra de alimentação ou medicamentos para animais de quem não pode sair;

- Ajuda na alimentação de colónias;

- Transporte de animais de/para clínicas médico-veterinárias;

- Apadrinhamento de despesas essenciais, alimentação ou despesas médico-veterinárias.

Também o bastonário da Ordem dos Médicos Veterinários traça, em declarações à TSF, um cenário idêntico ao nível dos centros de recolha de animais nas autarquias.​​​

"Os centros já estavam saturados, hoje em dia estamos a tentar com os municípios encontrar algumas vagas de emergência para pessoas que adoecem com Covid-19, vivem sozinhas e não têm com quem deixar os animais".​

"Isto serão casos em que a pessoa vive sozinha e terá de ser internada", revela Jorge Cid. As soluções têm sido encontradas "caso a caso" que têm sido conseguidas "com muita dificuldade" devido ao panorama nacional nos centros de recolha, que estão "completamente sobrelotados".

Jorge Cid constata, por outro lado, que entre os que se mantêm fiéis aos seus animais de estimação, há alguns que nunca na vida passearam tanto como agora.

"Vão mais vezes à rua porque os próprios donos querem sair um bocadinho e aproveitam", lembra o veterinário. Ao contrário do que acontecia antes, "agora discute-se para ver quem é que leva o animal à rua, sempre é uma maneira de espairecer um bocadinho".

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de