Polémica na TAP. "É absurdo pagar 850 euros por um voo humanitário"

Cidadãos que querem regressar do Brasil a Portugal estão a ser confrontados com elevados preços para embarcarem no voo de repatriamento promovido pelo Governo e pela TAP.

Os voos humanitários da TAP, marcados para sexta-feira e sábado, para transportar brasileiros e portugueses retidos nos dois países estão a causar polémica. Quem não tinha ainda comprado bilhete na companhia área portuguesa é obrigado a pagar mais de 800 euros para poder embarcar.

É o caso de Elaine Veloso, uma brasileira que espera há quase um mês para regressar a Portugal. Tinha comprado bilhete pela operadora Azul, no início do mês. Esta segunda-feira, foi contactada pela TAP para embarcar no voo de sexta-feira para Lisboa, mas não contava ter de pagar um valor tão alto.

"O que estão a cobrar é um bilhete de ida e volta, entre 800 a 900 euros por pessoa", reclama a cidadã brasileira. "Tem sido um abuso, para se valerem do desespero das pessoas."

"O Governo tem feito um discurso de que isto é um voo de repatriamento quando na verdade, não é", atira.

No caso de Elaine, seriam mais de 2500 euros para toda a família embarcar. Sem dinheiro para tal, a opção teve de ser adiar, de novo, o regresso a Portugal.

"É um verdadeiro absurdo fazerem uma oferta destas", queixa-se a brasileira, afirmando que o facto de não poder regressar a Portugal "gera uma ansiedade muito grande". "Não sabemos o dia de amanhã, então isto está a virar um transtorno", admite.

Em Lisboa, também há brasileiros a quererem embarcar para o outro lado do Atlântico, mas sem hipótese de apanhar o voo da TAP, por falta de dinheiro. Cyntia de Paula, presidente da Casa do Brasil, afirma que os valores em causa não são admissíveis.

"Muitas pessoas estão a tentar retornar porque estão em situação de vulnerabilidade e é irreal uma passagem de 850 euros por um voo dito "humanitário", contesta.

"Não faz sentido nenhum acrescentar algo que é impossível de pagar a pessoas que perderam o trabalho", defende Cyntia de Paula, que confessa ver esta situação "com muita preocupação".

A presidente da associação que presta apoio aos migrantes brasileiros em Portugal descreve situações difíceis, provocadas pela pandemia.

"A comunidade brasileira, se pensarmos no âmbito do trabalho, estava muito ligada aos serviços, muitas pessoas perderam o trabalho de imediato, recebemos muitos relatos de muitas pessoas a passar dificuldades", conta.

Contactada pela TSF, a TAP garante que o voo do Brasil para Portugal está ao mesmo valor que o voo no sentido inverso.

"O preço foi definido em função do momento em que a operação para o Brasil está suspensa e dos custos da TAP para operar um voo ad hoc", indica fonte oficial da TAP.

"A tarifa está em linha com as tarifas praticadas em outros voos extraordinários de repatriamento que a TAP tem operado desde o início da pandemia, em março do ano passado", garante a companhia aérea.

A TAP adianta ainda que a prioridade para embarque nestes voos é definida pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, sendo que a companhia aérea recebe as listas de interessados identificados pela tutela e contacta os passageiros para tratar da viagem.

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