Portugal vai usar sangue de doentes recuperados para tratamento experimental à Covid-19

As pessoas têm de estar recuperadas da doença há mais de 14 dias.

Os ensaios clínicos devem começar em maio. Podem ser dadores todos os que ultrapassaram a Covid-19. Não é para todos os doentes, mas pode ajudar alguns com mais dificuldade em combater a infeção

Em tese, cada um dos doentes que recuperaram pode ser dador de plasma para estes ensaios clínicos. Basta cumprir critérios básicos como os que se exigem aos dadores de sangue, o mais importante é quererem participar. No entanto, só pode doar plasma os que tiverem feito o segundo testes negativo à Covid-19 há mais de 14 dias. De resto, basta estar disponível.

A técnica de recolha do plasma, um componente do sangue, já está concluída. Falta agora definir quem pode candidatar-se a este tratamento experimental.

"Os critérios estão a ser definidos por uma equipa de especialistas também da Direção Geral de Saúde. do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge e do Infarmed", diz à TSF a presidente do Instituto Português do Sangue e da Transplantação.

Maria Antónia Escoval afirma que em qualquer caso será sempre o médico que acompanha o doente concreto e decidir se é ou não candidato a este ensaio clínico.

Como qualquer tratamento experimental, não está isento de riscos e no momento de escolher quem pode usar plasma de antigos, um dos critérios é minimizar o risco de TRALI (Transfusion-Related Acute Lung Injury), uma espécie de falência pulmonar que pode levar à morte.

Maria Antónia Escoval está, no entanto, confiante, "esse risco é comum a todas pessoas que fazem transfusões. Neste caso concreto, os benefícios são largamente superiores aos riscos", é um tratamento experimental, mas sabemos que foi usado com sucesso em várias epidemias, entre elas a do SARS.

A avaliação decorre do que já se sabe de estudos feitos na China. O plasma de doentes recuperados está também a ser usado no Reino Unido ou nos Estados Unidos. O que se sabe com certeza é que não é a cura para todos os doentes infetados com o novo coronavírus.

Este tratamento faz parte da lista de terapias experimentais autorizadas pelo Infarmed, o secretário de estado da saúde, António Lacerda Sales acredita que "os ensaios clínicos podem começar no mês que vem".

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