Presidente do Técnico garante que "não existe relação" entre ensino e apoio psicológico

Rogério Colaço, em declarações à TSF, confirma que há alunos que esperam seis meses por uma consulta de psicologia, mas acrescenta que são "exceções".

O presidente do Instituto Superior Técnico (IST), em Lisboa, rejeita que exista uma "cultura de sobrevivência" na instituição, tal com tinha alertado à TSF, na semana passada, o presidente da associação de estudantes. Rogério Colaço, além de afirmar "que [esse cenário] não corresponde à realidade, acrescenta que "o Técnico é uma escola exigente" e "sempre foi".

Ainda assim, o professor que está à frente dos destinos da instituição reconhece que "os níveis de ansiedade, entre professores e alunos", têm aumentado nos últimos tempos. "Vivemos um tempo de pandemia, em que os alunos estiveram afastados do regime presencial e da sua instituição universitária (...). Foi também um período em que estivemos a implementar um novo modelo de ensino", justifica Rogério Colaço, quando questionado sobre os constrangimentos que o gabinete de psicologia está a passar.

Este modelo de ensino tem dividido os estudantes. Nas declarações à TSF, o presidente da associação de estudantes do IST, afirmou que muitos alunos consideram que o modelo é flexível, mas outros que acrescenta mais pressão, uma vez que o "modelo de avaliação passa a ser contínuo em vez de ter apenas uma prova final".

Gonçalo Mamede alertava que a "pressão exagerada de docentes para alunos" está a levá-los ao gabinete de psicologia. Questionado sobre o tema, Rogério Colaço rejeita que seja essa a causa, uma vez que todos os inquéritos e dados disponíveis "não indicam que exista um nexo de causalidade entre aquilo que é a formação do Técnico e a ida aos psicólogos". "Isso não existe", acrescenta.

O presidente do IST vinca que a instituição "leva a saúde mental muito a sério" e recorre à história: "Há 30 anos, o Técnico foi pioneiro a criar serviços de apoio psicologia e de acompanhamento, sobretudo para alunos com rendimentos mais baixos."

Rácio de psicólogos por utente é mais alto do que no SNS, revela o presidente

Questionado sobre a denúncia de vários alunos, que dizem esperar seis meses por uma consulta, Rogério Colaço defende-se, dizendo que é a exceção e não a regra e que o tempo de espera é até inferior ao do Serviço Nacional de Saúde (SNS). No Técnico, segundo o presidente do IST, há também mais psicólogos por utente. "O Gonçalo Mamede falou em cerca de mil alunos por psicólogo, talvez seja um pouco mais. Mas, seja como for, no SNS existem cerca de entre seis a oito mil utentes por psicólogo. Mas isto não é para dizer que está tudo bem no Técnico."

O presidente da instituição tocou ainda no tema "listas de espera", para afirmar que até é bom sinal que existam, uma vez que é sinónimo de que o Técnico "é das únicas instituições universitárias no país e até na Europa que presta apoio psicológico aos estudantes".

Rogério Colaço reconhece que é sempre possível fazer mais, sobretudo quando se trata de saúde mental. Já sobre contratar psicólogos para suprir as carências, o líder do IST diz que é difícil: "O Orçamento do Estado cobre menos de 75% dos salários dos professores, técnicos e administrativos. Naturalmente que contratar psicólogos é algo para além da capacidade, não só do Técnico, como de outras instituições do país."

Para que o serviço não falhe, o presidente do Técnico adianta que é muitas vezes pedido aos psicólogos que trabalhem para lá do horário laboral. Rogério Colaço até admite que a realidade poderia ser muito pior, se não fossem instituições independentes a assegurarem essa ajuda psicológica.

Atualmente o Instituto Superior Técnico tem cerca de 14 psicólogos ao dispor de 12 mil estudantes.

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