Quebra na produção de castanha pode chegar aos 80% em Trás-os-Montes

No dia de São Martinho, come-se castanhas e bebe-se vinho. Mas, este ano, há pouco deste fruto seco, e a apanha ainda está a decorrer.

A seca fez atrasar a produção e em Trás-os-Montes, onde nenhum produto agrícola tem tanto valor económico como a castanha, os efeitos já se sentem na indústria de transformação e exportação do fruto.

Embora ainda seja cedo para fazer as contas, os produtores já preveem quebras a rondar os 80% e há mesmo quem admita que o setor pode colapsar.

Os produtores justificam esta quebra, com o frio dos últimos dias do mês de julho e ao calor e falta de água em todo o verão.

Lindolfo Afonso, é um dos maiores produtores de castanha da região transmontana, com soutos em Espinhosela, no concelho de Bragança. Anualmente, a produção chega às 80 toneladas, mas este ano deve ficar-se pelas 20. "O ano passado ainda fiz cerca de 140 mil euros, este ano devo fazer 20 ou 30 mil, o que não dá para os custos de produção", lamenta.

Também Marcelino Rodrigues, produtor de Meixedo, igualmente no concelho brigantino, fala em prejuízos consideráveis. "Deve ser uma quebra de 80%, os ouriços estão pequenos, por acaso até tenho uma máquina para as apanhar mas nem lhe fiz a revisão porque vi que isto não valia a pena", conta.

Guilhermino Padrão é comerciante de castanha no distrito de Bragança, afirma que nos últimos anos, tem comprado cerca de 1500 toneladas por campanha que depois exporta maioritariamente para Itália, mas este ano, estima que só consiga adquirir pouco mais de 200 toneladas. "Quando contamos que tenham duas toneladas, os produtores aparecem apenas com 400 quilos porque não produziram e isto vai ser um enorme prejuízo para a economia local, porque isto é dinheiro que circula o ano todo e estamos a falar numa quebra de 50 milhões de euros", afirma.

Já o presidente da ARBOREA - Associação Agro-Florestal da Terra Fria Transmontana - ainda acredita que até ao final da campanha, a situação venha a melhorar. "A situação é real, mas como ainda há alguma castanha, aquilo que acreditamos é que o valor final fique acima disso, caso contrário, estamos a falara de um setor que pode eventualmente colapsar", diz Abel Pereira.

Agora, Lindolfo Afonso e Marcelino Rodrigues esperam medidas por parte do Governo. "Porque há ajudas para tudo, tanta gente que não quer trabalhar tem ajudas, e quem trabalha paga os impostos. Deviam ter uma atenção", afirmam.

Estes produtores acreditam que há centenas de famílias que vão passar dificuldades, porque o dinheiro que ganham com a castanha é sempre um suplemento financeiro para viver.

Numa recente passagem pelo concelho de Vinhais, na feira da castanha, a Ministra da Agricultura e da Alimentação disse que "ainda é preciso esperar para avaliar as quebras" mas adiantou que estão a ser preparadas medidas de apoio. "Estamos a ultimar uma medida onde o setor da produção de castanha pode vir a concorrer que mobiliza o desenvolvimento rural, proposta por Portugal à comissão europeia, vamos disponibilizar 51 milhões de euros com mais 7 milhões do Orçamento do Estado para podermos apoiar as culturas temporárias e permanentes de regadio e de sequeiro", afirmou Maria do Céu Antunes na abertura da Rural Castanea, certame que decorreu em Vinhais, no distrito de Bragança.

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