"Queijeiras" homenageadas com projeto das Aldeias de Montanha

A Rede das Aldeias de Montanha engloba os territórios dos municípios de Celorico da Beira, Fornos de Algodres, Fundão, Covilhã, Gouveia, Guarda, Manteigas, Oliveira do Hospital e Seia.

É lançado este domingo, 28 de março, pela ADIRAM - Rede das Aldeias de Montanha, o projeto "Queijeiras", que pretende homenagear, valorizar e emancipar as mulheres que, há séculos, fazem o tradicional Queijo Serra da Estrela. Vai juntar queijeiras das 41 aldeias de montanha, valorizar as suas histórias e dar-lhes formação em negócios, empreendedorismo, entre outros, para que tenham uma maior visibilidade.

A Rede das Aldeias de Montanha engloba os territórios dos municípios de Celorico da Beira, Fornos de Algodres, Fundão, Covilhã, Gouveia, Guarda, Manteigas, Oliveira do Hospital e Seia. Este projeto, que agora avança, pretende valorizar a queijeira, tal como já se valorizou a mulher que trabalha a vinha e o vinho, outrora também pouco visível na produção nacional. Para isso, vai nascer uma capa em burel, tecido típico da região da Serra da Estrela, que será um símbolo para dignificar esta mulher.

Célia Gonçalves é a coordenadora do projeto na Rede das Aldeias de Montanha e conta no áudio como será esta capa, quem é a designer nacional que a idealizou, e que formações vão receber as queijeiras.

As queijeiras vão estar também num livro, que vai contar as suas histórias de vida e "perpetuar memórias", sendo "um livro bonito do ponto de vista estético", mas que vai transpor para as linhas "todo o lado emocional destas mulheres", conta.

Jacinta Mendes é queijeira em Oliveira do Hospital e sabe bem como começou a fazer queijo, foi com a avó há já 23 anos. "A minha avó faleceu, o negócio dela também acabou e agora estou a trabalhar por minha conta", refere a queijeira que tem esperança de que este projeto possa apoiar a profissão, "pois se não nos apoiarem daqui a pouco não há queijeiras, para ver se mais gente se dedica" a esta arte de fazer o queijo.

Jacinta Mendes considera que há uma identidade no fabrico do queijo Serra da Estrela.

"Cada queijeira tem o seu modo de fabrico, mas está lá o mesmo sabor porque o queijo não muda". A arte do "coalhar, o fazer, o modo de meter a massa" é que faz a diferença.

A juventude "quer um horário de trabalho" e não quer "este trabalho duro". "Muitas vezes não sabemos se vendemos ou não e, neste tempo de pandemia, as vendas não são nenhumas", explica. As únicas vendas, ainda que poucas, têm acontecido nos supermercados.

O projeto "Queijeiras" conta com a parceria da Burel Factory, a empresa que vai produzir a capa em burel, a preço de custo. Depois, o projeto irá aplicar uma margem na venda destas capas, que vai permitir financiar o curso.

Em Oliveira do Hospital, onde o projeto já foi apresentado, as queijeiras receberam das mãos do autarca local, José Carlos Alexandrino e das mãos de José Francisco Rolo, da ADIRAM, um coração em burel, como símbolo do arranque do projeto, mas também da estima por estas mulheres que mantêm esta arte "que exige sabedoria, dedicação e paixão".

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