Se não há "risco imediato", porquê vacinar crianças? Jorge Amil Dias pede "prudência"

Mais de três dezenas de profissionais de saúde assinaram carta a pedir cautela na decisão de avançar com a vacinação contra a Covid-19 da população dos 12 aos 18 anos.

Jorge Amil Dias, presidente do colégio de pediatria da Ordem dos Médicos, considera que seria prudente aguardar por dados mais sólidos, antes de avançar para a vacinação contra a Covid-19 das crianças e dos jovens. Falando apenas a título pessoal, o médico recorda que o coronavírus não tem revelado consequências graves nesta faixa etária.

Em declarações à TSF, Jorge Amil Dias afirma que, se a vacinação entre os 12 e os 18 anos avançar, essa será uma decisão política, mas ressalva que seria lamentável ter de voltar a dar passos atrás, como já aconteceu.

"Esta doença tem poupado a população infantil. As crianças, infelizmente, também adoecem, mas, felizmente, não morrem com esta doença nem são os grandes disseminadores", constata o médico. "Então, se não estão em risco imediato, se ainda não temos estudos de dimensão suficiente sobre a solidez da sua segurança, então talvez [devamos] ter alguma parcimónia e alguma prudência e aguardar [antes de arrancar com a vacinação desta faixa etária]", defende.

No que toca as decisões políticas sobre esta matéria,"obviamente que já não é um ponto de vista técnico", nota Jorge Amil Dias. "Aí caberá às entidades responsáveis tomar a decisão final. Todavia, é legítimo dizê-lo: se assumirem fazê-lo de imediato, estão a dispensar outras evidências - e seria lamentável se tivéssemos de dar passos atrás nessa decisão, como afinal aconteceu com algumas marcas de vacinas que se usaram em adultos", alerta.

Esta quarta-feira, quase três dezenas de médicos e outros profissionais de saúde assinaram uma carta a pedir cautela na vacinação dos mais novos. O documento foi enviado a todas as autoridades políticas nacionais e regionais, e às autoridades de saúde, incluindo a Direção-Geral da Saúde e a Autoridade do Medicamento.

Estudos preliminares apontam para o surgimento de pericardite e miocardite, na sequência da vacinação nesta faixa etária, pelo que os profissionais de saúde consideram que pode estar em causa uma violação do superior interesse das crianças. Os assinantes da carta alegam que se a vacina não traz vantagem à saúde da criança, destina-se só a proteger os mais velhos, vacinar a criança é estar a sujeitá-la a um risco desnecessário.

Pais confiam na decisão tomada pela DGS

Questionado pela TSF sobre esta questão, o presidente da Confederação Nacional Independente de Pais e Encarregados de Educação (CNIPE), Rui Martins, reitera a confiança na decisão que vier a ser tomada pela Direção-Geral da Saúde (DGS).

"A CNIPE, desde o início da pandemia, sempre confiou na Direção-Geral da Saúde. Portanto, a decisão que a Direção-Geral da Saúde vier a tomar [sobre vacinação de crianças e jovens contra a Covid-19], nós subscrevemos", declara.

Rui Martins afirma que se a Direção-Geral da Saúde chegar à conclusão de que se deve adotar a vacinação contra o coronavírus nesta faixa etária, "há que vacinar", mas ressalva que, em última instância, a decisão "recai sobre cada um dos pais, não sendo a vacinação obrigatória".

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Notícia atualizada às 10h02

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