Seca: apenas dois dos 40 campos de golfe do Algarve são regados com águas de ETAR

Os autarcas da região esperam que, no âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência, possam ser feitas obras para alargar essa possibilidade a muitos mais campos e até à agricultura.

Entre os 40 campos de golfe existentes no Algarve apenas dois, o de São Lourenço na Quinta do Lago, e o dos Salgados, em Albufeira são regados com águas das Estações de Tratamento de Águas Residuais (ETAR). Carlos Guerrero, professor da Universidade do Algarve, considera que o número já devia ser muito maior. "Estamos mais uma vez na iminência de termos um ano seco e a questão das águas residuais já devia estar num maior número de campos de golfe", sentencia.

Para o investigador na área de agronomia da Faculdade de Ciências e Tecnologia, já não se coloca em causa a qualidade dessa água - "o campo dos Salgados já é regado há 20 anos" dessa forma - mas sim como levar essa água até aos campos de golfe.

Para que isso aconteça, é necessário um investimento avultado que ainda não foi feito.

No entanto, este professor universitário salienta que não se pode imputar aos campos de golfe a falta de água na região. Nestes campos, "o consumo dessa água é feito com a utilização de equipamentos de monitorização das condições climatéricas, para saber as reais necessidades que a planta está a precisar", avança. São também já utilizadas sondas de humidade de solo nalguns campos.

Muitos dos golfes estão também a aplicar relvas de estação quente, empregadas em países de calor, e que necessitam de muito menos água." Dois terços dos campos no Algarve já têm bermuda instalada, uma relva de estação quente que não tem tanta necessidade de água no verão", explica o investigador.

No Plano de Eficiência Hídrica do Algarve, e que faz um retrato da água utilizada na região, os campos de golfe representam apenas 7% do consumo, com a agricultura a gastar mais de 56% e o consumo público a rondar os 33%.

Autarcas confiam nas obras do PRR para melhorar a eficiência hídrica

A Comunidade Intermunicipal do Algarve ( AMAL) aguarda que os 200 milhões previstos no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) permitam encontrar alternativas para o abastecimento de água à região. Entre as obras previstas está uma central de dessalinização para água de consumo humano e a ligação ao Rio Guadiana, através do Pomarão, dotando o sistema de mais 30 hectómetros.

António Miguel Pina, presidente da AMAL, considera que a região teria assim "uma maior resiliência no que diz ao abastecimento público", visto que anualmente o consumo humano anda à volta do 72 hectómetros. A reutilização das águas da ETAR "ou para campos de golfe ou para a agricultura" também está a ser pensada. Igualmente estão a ser previstas obras para reduzir as perdas nos sistemas urbanos e agrícolas. "Nos próximos 5-6 anos temos 6 milhões para melhorarmos a nossa resiliência e a forma como aproveitamos a água", acrescenta.

Numa altura em que se vive uma situação de seca o responsável pela Comunidade Intermunicipal considera estar a ser colocado" um foco injusto" sobre o setor do golfe, quando ele representa "apenas 6% das águas consumidas no Algarve".

"Entre consumo de água e VAB (Valor Acrescentado Bruto) regional, os campos de golfe são os que maior rentabilidade trazem", garante o autarca.

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