Sindicato alerta que contratação de enfermeiros pelas autarquias pode ser perigosa

José Carlos Martins defende que a tutela deve procurar contratar os enfermeiros com vínculos precários e garante que assim seriam garantidos recursos humanos suficientes para os centros de vacinação contra a Covid-19.

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) considera que a contratação de enfermeiros para os centros de vacinação por parte das autarquias pode ser perigosa. Em declarações à TSF, o presidente do sindicato, José Carlos Martins, defende que o SNS tem recursos suficientes garantir a vacinação em massa contra a Covid-19 que vai arrancar no próximo mês.

O jornal Público escreve, na edição desta terça-feira, que para tentar combater a falta de enfermeiros necessários para os 150 postos de vacinação, algumas autarquias estão a tentar contornar as dificuldades contratando profissionais da área.

"Estranhamos esta notícia e até pode ser perigoso haver agora um processo de contratação por parte de câmaras municipais", explica José Carlos Martins, que acrescenta que "os enfermeiros não caem de paraquedas num centro de vacinação".

Estes profissionais precisam de "formação e alguma experiência" em função das "informações que têm de dar aos utentes e da avaliação de potenciais reações adversas". E há ainda, assinala o sindicalista, a questão do modelo de organização do centro de vacinação, que é "responsabilidade dos agrupamentos de saúde".

A estas questões junta-se uma outra: a da falta de recursos humanos. Como assinala o líder do sindicato, se "não há enfermeiros" disponíveis para contratar para o SNS, agrupamentos ou administrações regionais de saúde, "também não os há para contratar pelas câmaras".

A resolução do problema está, para José Carlos Martins na vinculação, por parte do Ministério da Saúde, dos mais de dois mil enfermeiros cujos contratos de trabalho terminam no final deste mês de março.

"Apesar do excesso de carga de trabalho é possível, porque é uma questão temporária e excecional, com prejuízo de alguma atividade regular nas unidades funcionais", garante.

Resolvida a questão, será possível "organizar equipas com enfermeiros das USF, das unidades de cuidados de saúde personalizados, como está a acontecer".

Estas seriam equipas com "muita experiência", compostas por profissionais "já muito entrosados" com o processo de vacinação e que permitiriam ainda vincular os enfermeiros "que estão contratados de forma precária".

Até que essa solução possa ser colocada em prática, José Carlos Martins lamenta o que diz ser uma profunda contradição do Ministério da Saúde: perante a falta de enfermeiros, não os contrata nem os retém.

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