Tenho alergias ou Covid-19? Como distinguir os sintomas em plena primavera

Mais pólen do que o habitual nesta altura do ano e Covid-19: na ida à rua, prepare-se para enfrentar os dois e saiba como distinguir os sintomas das duas doenças que afetam o sistema respiratório.

Se está em casa a cumprir o distanciamento social pode parecer que este ano as alergias de que costuma sofrer na primavera estão milagrosamente curadas. Não estão. Quando precisar de ir à rua, prepare-se para um ataque ainda mais agressivo dos pólenes.

"Há mais pólen este ano do que no ano passado", alerta o médico especialista em imunoalergologia, Carlos Nunes, em declarações à TSF.

Apesar de nãos ser possível consultar o boletim polínico da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC) - suspenso devido ao plano de contingencia da instituição devido à Covid-19 - há vários motivos que levam o especialista a afirmar que o pólen "está mais vivo do que o habitual".

Por um lado, este ano choveu tardiamente, e também já fez calor, por isso "as plantas desenvolvem-se mais e polinizam mais". Por outro, há menos poluição atmosférica devido à redução da atividade económica e da mobilidade das pessoas por causa da pandemia da Covid-19.

"Quando há menos agressividade do ar, as plantas e árvores florescem melhor: têm menos competição do ar e acabam por melhorar significativamente a sua produtividade", explica Carlos Nunes. "O mundo é um equilibro - quando uns melhoram outros pioram."

Proteger os pulmões, começando pelo nariz

Ficando em casa, "as pessoas estão a passar relativamente bem porque não têm contacto com os pólenes" e é expectável que sintam poucos sintomas de alergia este ano.

No entanto, se precisarem de sair à rua ou se o confinamento social terminar ainda durante a primavera, pode acontecer que "as pessoas que estão a passar bem dentro de casa se esqueçam que têm alergia e deixam de fazer o tratamento. Vão ter grandes crises de renite alérgica ou de asma."

É importante, por isso, que as pessoas com rinite alérgica ou asma "façam seus os tratamentos de forma regular - anti-histamínicos, sprays nasais, gotas para os olhos ou tratamentos para asma - antes de sair de casa", alerta o especialista da SPAIC.

Antes de usar inaladores para combater a falta de ar, o primeiro tratamento de uma alergia respiratória é sempre o nariz, lembra Carlos Nunes: "O primeiro filtro que o nosso aparelho respiratório tem são as fossas nasais. É como termos um tapete à porta de casa: se limparmos os pés não sujamos a casa, ou sujamos pouco. O nariz é um filtro do pulmão."

Covid-19 ou alergias?

A dificuldade em respirar é um sintoma comum tanto em pessoas com alergias como em doentes com Covid-19, mas o médico diz que é fácil distinguir as duas doenças.

No caso da infeção pelo novo coronavírus, apesar de também poder surgir dor de garganta e corrimento nasal, os sintomas mais frequentes são tosse e febre igual ou superior a 38 graus, a par com dificuldades respiratórias.

Já os sintomas habituais da renite alérgica e da rinoconjuntivite alérgica são "espirrar muito, ter muita comichão no nariz e nos olhos, ter 'pingo' no nariz - quando a pessoa começa a espirrar e fica com água no nariz e começa a lacrimejar" e nariz congestionado ou entupido.

"Uma infeção por um vírus não dá habitualmente comichão no nariz e nos olhos", nota o especialista. E o caso das alergias, geralmente só o pólen de oliveira e o pólen da parietária, também conhecida como alfavaca de cobra, que é "mais pequeno", pode descer para os brônquios e provocar tosse e dificuldades em respirar.

O risco associado à Covid-19 é maior para as pessoas que sofrem de "asma mais complicada - cerca de 20% da população que tem asma", uma vez que já sofrem de uma dificuldade respiratória. "Se não fizerem tratamento ou não estiverem controladas acabam por agravar a sua situação" caso contraiam a infeção provocada pelo coronavírus.

"Vão ter grandes dificuldades em respirar e podem ter de ser hospitalizadas", alerta o médico Carlos Nunes.

Se, devido a alergias, precisar de espirrar num espaço público, o procedimento é o mesmo para evitar a propagação de partículas que podem conter Covid-19: deve fazê-lo para o braço, nunca para as mãos, de usar lenços descartáveis e de lavar as mãos com frequência.

Outro inimigo invisível

E se, por um lado, em casa "só haverá 5 ou 10% dos pólenes que andam no ar", há outro inimigo invisível com que muitos têm de se preocupar durante o confinamento social - os ácaros.

"As pessoas que têm renite alérgica ou asma alérgica provocada pelos ácaros provavelmente estão piores se não fazem tratamento, porque estando mais dentro de casa estão muito mais em contacto com os ácaros do que habitualmente."

É, por isso, essencial apostar na limpeza da casa, idealmente com lixívia diluída em água e de janelas abertas. Segundo o especialista, a lixívia é melhor do que o álcool e "excelente" para combater tanto ácaros como vírus.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de