Videovigilância noutras zonas da Amadora provoca aumento da criminalidade em Alfragide

Alfragide, uma freguesia concelho da Amadora que ainda não tem videovigilância, registou um aumento da criminalidade na ordem dos 7%, que, apesar de ligeiro, está a preocupar a PSP.

Desde maio de 2017 que o município da Amadora conta com a vigilância de 103 câmaras instaladas em espaços públicos na zona central da cidade, mas também na Reboleira, Venteira, Venda Nova, Damaia, Brandoa e Alfornelos. A Polícia de Segurança Pública (PSP) garante que a videovigilância tem tido um impacto positivo na criminalidade do município. Os dados mostram que se registaram menos cerca de 15% de crimes na Amadora em 2019, se comparado com 2016, altura em que ainda não havia câmaras na cidade.

"Estamos a falar de diminuições na ordem dos 100 crimes a menos de 2016 para 2017. De 2017 para 2018 cerca de menos 300 crimes. De 2018 para 2019 estamos em crer que também rondarão entre os 10% a 15%", detalha António Resende da Silva.

O comandante da Divisão Policial da Amadora afirma que é possível ver mudanças rua a rua, com "valores bastante relevantes".

"Estamos a falar de diminuições acentuadas na ordem dos 30% na Estrada Militar. Na Rua Elias Garcia também estamos a falar de valores acentuados, na ordem dos 10% de diminuição", explica.

Apesar de o número de crimes estar a diminuir no concelho da Amadora, a freguesia de Alfragide tem sentido um aumento da criminalidade, na ordem dos 7%. Resende da Silva acredita que possa estar relacionado com o facto de Alfragide não ter videovigilância.

"Há um aumento que temos verificado de ocorrências na freguesia de Alfragide que é um aumento ténue. Mas, ainda assim, é um aumento que nos preocupa, porque significa que há uma deslocalização [do crime]", refere.

Estes dados levaram a PSP e a Câmara Municipal da Amadora a estenderem a rede de câmaras também a Alfragide. Vítor Ferreira, vereador responsável pelos pelouros das obras municipais, trânsito e urbanismo, espera ter o sistema instalado até final de 2021.

Vítor Ferreira acrescenta que o projeto-piloto da Amadora chamou a atenção de outros municípios da zona metropolitana de Lisboa. "Têm-nos procurado, do ponto de vista mais técnico, outros municípios, penso que pretendem implementar também este sistema. São municípios muito próximos do nosso, na área metropolitana norte", afirma.

"As pessoas pedem-nos mais câmaras"

Apesar de alguma resistência inicial, Resende da Silva garante que a videoproteção foi bem recebida no concelho da Amadora. "Uma das coisas que mais sucede é as pessoas queixarem-se porque querem ter câmaras na sua artéria. Isso é um fenómeno engraçado."

O comandante da Divisão Policial da Amadora afirma que qualquer preocupação inicial relacionada com a perda de privacidade no dia-a-dia caiu por terra.

"Existe um mito urbano em relação ao sistema de videoproteção, que é a ideia de que algum agente pode estar a controlar. É completamente impossível. Aliás, eu brinco muitas vezes a dizer que apanhar um crime em direto é quase como ganhar o euromilhões. Estar a ver 103 câmaras, escolher uma e naquele momento ser cometido um crime é como ganhar o euromilhões", brinca.

O vereador Vítor Ferreira descansa quem vive na Amadora e explica que as câmaras só captam o espaço público. "Existe uma máscara própria na câmara que não permite a identificação ao nível do interior das habitações. Numa fase inicial, houve alguma desconfiança, mas isso hoje não acontece. As pessoas pedem-nos é mais câmaras na cidade."

António Resende da Silva explica ainda que há regras apertadas para quem trabalha na sala de comando e controlo de videovigilância. "Tudo o que se passa na sala é gravado", garante.

Prevenir crimes e atuar rapidamente

A videovigilância no município da Amadora funciona 24 horas por dia, todas as câmaras estão identificadas e são controladas através de uma sala de comando instalada na esquadra da Amadora.

"Há um video wall que tem a possibilidade de aceder a todas as 103 câmaras com mais pormenor e os dois operadores o que fazem é o controlo das comunicações da polícia, simultaneamente com as ocorrências que são dadas para a PSP", explica António Resende da Silva.

O comandante da Divisão Policial da Amadora conta que as câmaras servem três propósitos: dissuadir possíveis delitos, ajudar a PSP a ser mais rápida a atuar perante um crime e adicionar conteúdo à investigação criminal.

Este sistema de rede olha para o momento do crime de vários ângulos e as movimentações podem revelar muitos detalhes. "Quando uma pessoa comete um crime, não cai ali naquele local. Ela deslocou-se de algum lado, veio num determinado meio de transporte, inclusive numa viatura. O caminho que ela faz para o local do cometimento do crime e pós-comitimento do crime, às vezes, é tão ou mais importante do que o próprio local", afirma o intendente Resende da Silva.

As câmaras têm sido importantes para uma melhor gestão dos meios policiais porque permitem, por exemplo, "colocar duas viaturas numa zona que não tem sistema de videovigilância e ter uma zona apenas com uma viatura para responder a ocorrências quando essa zona está a ser monitorizada".

Além da prevenção, o sistema também ajuda a tomar decisões perante uma ocorrência."Nós temos conhecimento de uma desordem numa rua. Se tivermos um sistema de videovigilância, faz toda a diferença verificar e saber se a desordem é com duas pessoas ou se é com 50. Os meios a avançar são completamente diferentes", detalha.

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