Virologista admite que podem surgir mais casos de reinfeção por Covid-19

À TSF, Celso Cunha diz que comportamento do vírus não espanta, uma vez que nos casos de outros vírus também é comum haver reinfeções.

O virologista português Celso Cunha admite que depois de Hong Kong podem começar a surgir relatos de mais casos de reinfeção, mas que até aqui são raros os casos bem documentados. Seja como for, as reinfeções podem acontecer, nomeadamente devido a pequenas mutações do vírus.

"Os casos documentados de reinfeção são relativamente raros até agora, embora não queira já dizer que não possam vir a ser mais frequentes do que aquilo que estamos agora a observar. Trata-se de pessoas que foram diagnosticadas uma vez e depois, passado algum tempo, voltaram a ser diagnosticadas depois de testes negativos", explicou à TSF Celso Cunha.

Nada de espantar, uma vez que nos casos de outros vírus também é comum haver reinfeções.

"Não me parece que seja uma situação totalmente inesperada. Nos vírus que causam doenças respiratórias, como o vírus da gripe, podem acontecer reinfeções ainda durante a mesma época do ano. É vulgar termos uma constipação, com algum corrimento nasal, num determinado momento e passados alguns meses voltamos a ter uma mesma constipação que pode ser causada por um vírus da mesma família ou não", acrescentou o virologista do Instituto de Higiene e Medicina Tropical.

Depois de Hong Kong, também os Países Baixos e a Bélgica anunciaram, esta terça-feira, casos de reinfeção pelo novo coronavírus. Nos Países Baixos, a virologista Marion Koopmans, assessora da Organização Mundial de Saúde e do Governo holandês, confirmou que o caso identificado naquele país se trata de um cidadão holandês, um idoso com um sistema imunológico "deteriorado", que contraiu pela segunda vez o novo coronavírus desde o início da crise pandémica em março.

"Todas as infeções por SARS-CoV-2 [o novo coronavírus responsável pela doença Covid-19] têm uma impressão digital diferente, um código genético. As pessoas podem possuir vestígios do vírus durante muito tempo após o contágio e ocasionalmente expelir algum material genético [ácido ribonucleico, RNA - Ribonucleic Acid, no nome inglês] do vírus", afirmou Marion Koopmans, em declarações à televisão holandesa NOS.

Já o caso identificado na Bélgica é de uma mulher que conseguiu superar o novo coronavírus, mas que teve uma recaída três meses depois da primeira infeção, segundo confirmou o virologista e assessor para a área da saúde pública do Governo belga, Marc Van Ranst.

"Trata-se de uma mulher que sofreu uma recaída três meses após a primeira infeção. Conseguimos examinar geneticamente o vírus, associado às duas situações de contágio, e temos dados suficientes para determinar que é uma outra estirpe", disse o virologista belga.

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