A Rede Social

As conversas de olhos nos olhos alargam e enriquecem a nossa rede social. A Rede Social, a entrevista de Fernando Alves.
Às terças-feiras, depois das 19h00.

Carlos Fonseca, biólogo: uma vida dedicada ao mundo rural

Carlos Fonseca, o convidado desta emissão da Rede Social, é investigador do Departamento de Biologia da Universidade de Aveiro onde coordena a Unidade de Vida Selvagem.

O biólogo está, desde há poucos dias, ao comando do CoLab Forest WISE, o Laboratório Colaborativo para a Gestão Integrada da Floresta e do Fogo, que tem como objectivo o reforço da gestão florestal sustentável em Portugal e a redução das consequências negativas dos incêndios rurais.

Quando o jornalista Fernando Alves o convidou para esta conversa respondeu, por sms: "Apanhou-me no agrofitness". Já em estúdio explicou que se trata de uma actividade registada em seu nome e que permite a manutenção do bem-estar físico através da actividade agrícola. A agricultura e o contacto com a floresta podem levar-nos ao pretendido encontro dessas duas componentes de uma vida equilibrada. "Sou produtor de medronho, tenho vários hectares de medronhal e o medronho é muito exigente, do ponto de vista da manutenção", explica o investigador que viu arder, nos grandes fogos de 2017, o campo de medronho por si erguido em São Pedro de Alva, na região de Penacova, o primeiro medronhal certificado do mundo.

O novo desafio que lhe foi colocado, ergue uma fasquia elevada: "Há, de facto, aqui uma exigência do ponto de vista da sociedade no que toca a respostas com um suporte científico, nesta temática das florestas e dos fogos. Temos, neste laboratório, sete empresas, seis universidades e duas entidades públicas. O objectivo final é o desenvolvimento de investigação e a transferência de conhecimento para os utilizadores da floresta, neste caso as empresas que são os grandes impulsionadores e promotores daquilo que é o sector industrial em Portugal. Agora, o produtor (que é, muitas vezes, ausente) é chamado a ter um papel". Isso significa que é preciso tornar o produtor presente? "É preciso que haja um produtor presente e que ele faça o tal agrofitness", responde Carlos Fonseca.

A conversa aborda também a possibilidade de o norte do território de Portugal estar na rota de expansão do urso pardo e a necessidade de um plano ibérico de gestão e conservação da espécie, o plano de introdução do corço nas serras da Freita, Arada e Montemuro, o sonho da criação de Laboratório Vivo do Baixo Vouga Lagunar e o modo como deve ser abordada a presença, por vezes indesejável e descontrolada, de javalis em zonas de cultivo e até em zonas urbanas.

Interrogado sobre se o seu rio é o Mondego ou o Alva, responde sem hesitação. "O meu rio é o Alva. Foi nele que aprendi nadar, é nele que mergulho todos os anos, é nele que me inspiro para muito do que faço no dia a dia, é nele que encontro a energia que me permite sobreviver e viver de uma forma feliz, partilhando os bons momentos com a família e os amigos".

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