Sinais

"Sinais" nas manhãs da TSF, com a marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos paradoxos, das mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à atualidade.
De segunda a sexta, às 08h55, com repetição às 14h10.

Sinais

Omnibus

Omnibus

Uma criança nasceu ontem no ônibus da linha 867 de Campo Grande, na zona oeste do Rio. É a palavra ônibus que me prende, num primeiro momento. E logo ressoa uma velha canção da Legião Urbana, nos dias gloriosos de Renato Russo. A canção convoca "mendigos com os seus esparadrapos podres", matilhas de crianças sujas no meio da rua, outro modo de dizer presépio, entre tropa de choque e cartazes. Foi isso num tempo do qual se ausentaram verdade e mentira. O que soava, nesse presépio de favelas e "motocicletas querendo atenção às três da manhã", era música urbana. Nessa canção de 86 há um "ponto de ônibus". E alguém conta, alguém canta, que "uma criança nasceu".

Memória perecível

Memória perecível

A Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto acaba de editar o 2º volume de "O Mundo Que Vivi", um belo livro que transcreve testemunhos registados durante várias sessões de uma conferência realizada há meia dúzia de anos. São, moderados por Francisco Duarte Mangas, Germano Silva e Manuela Espírito Santo, formidáveis histórias de vida contadas por César Príncipe, Fernanda Gomes e Júlio Gago. Vidas cheias que não ficaram fechadas sobre si mesmas, elas são valioso contributo para o enriquecimento da magnífica colecção Memória Perecível que a Associação tem vindo a editar.

O novo Herodes

O novo Herodes

A notícia da France Presse conta que os três Reis Magos regressaram, ontem, montados em seus alazões, e percorreram as ruas de Lima, pedindo à população peruana que cumpra as normas sanitárias para acabar com a pandemia. Desta vez, Gaspar, Melchior e Baltazar não levavam ouro, nem incenso ou mirra. Levavam palavras poderosas como vacinas, palavras embrulhadas em magia, tão necessárias num país que ostenta a maior taxa de mortalidade associada à pandemia, em todo o mundo.