Sinais

"Sinais" nas manhãs da TSF, com a marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos paradoxos, das mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à atualidade.
De segunda a sexta, às 08h55, com repetição às 14h10.

Sinais

Emergência

Emergência

O complexo da Feira Internacional de Tripoli, projectado no início dos anos 60 por Niemeyer, a convite do governo libanês, acaba de ser inscrito, pela Unesco, na lista do Património Mundial em Perigo. A Unesco refere o "estado alarmante de conservação" em que se encontram os edifícios desenhados pelo grande arquitecto brasileiro e que não chegaram a ter a serventia para que foram idealizados porque se interpôs uma guerra civil e durante mais de 20 anos o grande pórtico de 700 metros concebido para o pavilhão internacional acolheu as milícias e sofreu toda a sorte de vandalismo.

Quem dirá Omar Khayyam em Bruxelas?

Quem dirá Omar Khayyam em Bruxelas?

O estonteante culto da rapidez que tomou conta das nossas vidas atinge as raias do desconcerto. O Guiness elegeu o homem mais rápido a caminhar sobre as mãos, cientistas acreditam que a Terra está a girar com maior rapidez porque a 29 de junho do ano passado o nosso planeta levou 1.59 milissegundos a menos do que o normal para cumprir a rotação completa e, interrogado em Bruxelas sobre se estaria disponível para responder ao mais famoso questionário do momento, o ministro João Gomes Cravinho respondeu:Eu já fiz muito rapidamente o exercício mental olhando para as perguntas. Não tenho dúvida nenhuma de que posso responder a esse questionário sem problemas".

O "carinho erudito"

O "carinho erudito"

Tomei-lhe, ontem, o gosto. Continuo a folhear o Diário de Lisboa de há cem anos. Nesse 18 de janeiro, o jornal conta o caso de Gualdino Gomes, "mestre da crítica livre e irreverente". A ilustre figura entra na Brasileira, "monóculo caído no fio", todo sorrisos, provocando tremendo alvoroço. A meia Lisboa fina que ali se acotovelava saúda aquele de quem os jornais acabaram de noticiar o falecimento. O grande boémio ganhará, não tarda, o labéu de imortal. Por agora, o jornal regista a frase com que o "ressuscitado" saudou os convivas: "Cá volto a tomar o meu chá".