Sinais

Os "Sinais" nas manhãs da TSF, com a sua marca de água de sempre: anotação pessoalíssima do andar dos dias, dos seus paradoxos, das suas mais perturbadoras singularidades. Todas as manhãs, num minuto, Fernando Alves continua um combate corpo a corpo com as imagens, as palavras, as ideias, os rumores que dão vento à actualidade.
De segunda a sexta, às 08h55 e 14h10

Sinais

O tempo dos tamarindos

O tempo dos tamarindos

Este sábado, antes de o dia romper, eu gravava o som das ondas na baía de Angra que abrigou tantas naus da carreira da Índia. No negrume pressentia o recorte do Monte Brasil, de onde cantava a pólvora contra os piratas. Guardo esses rumores de água e de aves para algum momento da peça "Eu nunca vi um helicóptero explodir", de Catarina Ferreira de Almeida e Joel Neto, que a encenadora Luisa Pinto está a montar. O sol ainda não rompera quando encontrei, na Praça Velha, o grande actor António Durães, outro activo madrugador. Subimos a rua da Sé e entrámos no mercado Duque de Bragança cujo encarregado é um meu homónimo, a essa hora em vale de lençóis. Numa das primeiras bancas encontrámos um velho terceirense, Luis Coelho, que nos cativou a atenção com umas anonas apanhadas nessa madrugada e uns magníficos tamarindos, tão exuberantes como os do poema de Ernesto Lara Filho, musicado e cantado por Fausto no álbum "A Preto e Branco". Desta vez Zenza Niala não destapou a quinda, nem mostrou papaias e pitangas saborosas sob as folhas secas de mamoeiro, mas a conversa serviu para nos deliciarmos no escuro com a mais saborosa fruta-pinha. Ou devo dizer anona?