TSF Pais e Filhos

Como a intuição não chega e eles não nascem com livro de instruções, a TSF propõe um programa para partilhar ideias, conselhos de quem sabe (desde os conselhos técnicos de pediatras e psicólogos, aos conselhos de pais), propostas de lazer, de brincadeiras, de passeios e reportagem. Sem nunca deixar de responder às dúvidas dos pais, vamos também ouvir os filhos. Com coordenação de Rita Costa e sonoplastia de Miguel Silva.
De segunda a sexta, às 08h40 e 16h40

"Bullying é para os fracos"

No dia Internacional de Combate ao Bullying o TSF Pais e Filhos dá-lhe a conhecer os conselhos da Polícia de Segurança Pública para lidar com o fenómeno.

A pandemia fez diminuir o número de participações por bullying e nos últimos cinco anos a tendência deixa adivinhar que as denúncias aumentaram, permitindo intervenções mais rápidas que podem ter evitado uma escalada da agressividade.

A Policia de Segurança Publica (PSP) insiste na importância de as crianças e jovens não esconderem quando são vítimas de bullying e este ano volta a lançar a campanha "Bullying é Para Fracos", com ações de sensibilização nas escolas.

O intendente Hugo Guinote, chefe da divisão da PSP, admite que caracterizar o fenómeno do bullying é muito desafiante para as forças de segurança porque o bullying não é um crime, ou seja, é um fenómeno sócio-criminal para o qual concorrem um conjunto de crimes como as agressões físicas, verbais, roubo, dano, ameaças ou coação. No entanto, a prática do fenómeno de bullying não vem no código penal.

Os últimos cinco anos mostram que estão a diminuir as ocorrências mais gravosas e a aumentar as menos gravosas, ou seja, estão a diminuir o número de agressões e de roubos e estão a aumentar o numero de injurias e ameaças.

E em relação ao cyberbullying?

O cyberbullying é um fenómeno muito pouco participado no nosso país e não conseguimos dizer se aumentou ao diminuiu. Na verdade é um crime que não é participado. Por isso estamos sempre a sensibilizar para que não só as vítimas, mas também os pais e os amigos, denunciem o que está a acontecer à polícia ou à própria escola. Porque é preciso apoiar a vítima e, ao mesmo tempo, o agressor.

Caso haja participação de um caso de bullying, qual é a intervenção da polícia?

Depende do tipo de gravidade. Para o bullying têm de concorrer três variáveis: a intencionalidade, a desigualdade entre vítima e agressor (força física, diferença de idades, personalidade, competência) e a regularidade dessa prática.

Quando constatamos que este fenómeno tem alguma continuidade, o caso é de imediato sinalizado às entidades que têm capacidade para intervir. São elas as Comissões de Proteção de Crianças e Jovens ou, no caso dos alunos mais velhos, o próprio tribunal.

Em regra, a escola procura antecipar-se a qualquer uma destas intervenções e assim que toma conhecimento deste problema procura, no seu interior, promover as respostas que possa ter. Falamos de medidas disciplinares primeiro e depois do apoio dentro da própria escola através dos gabinetes de psicologia ou, em casos mais extremos, pedir a intervenção de um clínico como um psiquiatra para dar um melhor apoio à criança agressora. Mas a criança vitima também recebe apoio, naturalmente.

Quais são os conselhos da PSP a uma criança que é vitima de bullying?

As crianças nunca devem ter vergonha de dizer aquilo que está a acontecer. Independentemente daquilo que os agressores nos possam dizer ou fazer, nunca acreditem que são inferiores em valor em relação aos seus agressores, muito pelo contrário.

A PSP desencadeia a operação "Bullying é para Fracos" e este slogan procura evidenciar uma verdade que é constatada pela clínica: é que o recurso à violência não é mais do que a exteriorização de um sinal de fraqueza pelo próprio agressor. Os fracos são os agressores porque, não conseguindo lidar com frustrações, acabam por esconder assim as suas fragilidades.

Em regra, o agressor - ainda que momentaneamente - se sinta a acalmar em relação aos seus conflitos internos, depois eles voltam a ressurgir. Um agressor de hoje vai sê-lo amanhã e, se não for apoiado, é provável que seja um agressor para o resto da vida.

A vítima não deve acreditar neste discurso redutor da sua importância e do seu valor. Nós somos todos pessoas importantes, com valores, e não é porque os outros dizem que não os temos que devemos acreditar.

Nós sabemos que os jovens têm sempre alguma vergonha de falar sobre isto aos pais ou, às vezes, a alguns professores. Mas então que o façam aos amigos ou falem com um auxiliar da escola com quem tenham um pouco mais de confiança.

O que importa é que não guardem para si todas as emoções negativas que conduzem depois à tristeza, à apatia e, com o tempo, a situações de depressão. Nenhum de nós está sozinho e polícia está lá também para ajudar sempre que eles precisarem.

Nunca pensem, independentemente do que os agressores vos disserem, que estão desapoiados. Isso não é verdade. Há sempre quem esteja pronto a ajudar. Nunca acreditem que foram abandonados.

Ouça aqui este "TSF Pais e Filhos", um programa de Rita Costa, com sonorização de Miguel Silva

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