
Tudo se compra. Tudo se vende.
Há muita desclassificação nos classificados. Muito drama. Muita história de vida ou de morte. Alguma poesia. E, claro, muita oferta, muita procura.
Nas páginas de anúncios de jornais ditos de grande circulação, folheados nos cafés das grandes áreas metropolitanas, há muita procura de trolhas para a Suíça, com entrada imediata e salário apetecível. Chefes de equipa de pedreiros, carpinteiros de limpo, montadores de andaimes, com entrada imediata, vamos a isto que se faz tarde, é para o estrangeiro, qual estrangeirinha. Gaspeadeira, ponha aqui o seu pezinho, da biqueira ao tacão.
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Os picheleiros são, de novo, requisitados. E os carpinteiros de cofragens.
Espraia-se a vista num jornal de província e uma outra brisa se oferece ou se procura. Uma casa de habitação, em pedra, restaurada, com 3 pisos, r/c, arrumos, duas casas de banho, varanda, 39.500 euros em Vale Prazeres.
É toda uma toponímia feliz.
Uma casa em bom estado à venda em Telhado. Telhado não é cobertura de casa, é nome de freguesia. É provável que a designação remeta para um antiquíssimo forno de telha, correm por perto ribeiras com nomes tempestuosos, a do Tormentoso, a do Cascalhão. E aqui chegados a esta véspera de Outono, depois de termos visto o senhor doutor Montenegro pisando uvas com os próprios pés, provai este cacho de pequenos anúncios no Jornal do Fundão: "Uvas de boa qualidade no Ferro. Vendem-se" . Ferro é nome de freguesia, freguesa. Em calhando, vá lá espreitar a pedra do adufe. "Uvas a 20 cêntimos o quilo, a colher nos Chãos". Chãos é nome de outro lugar, em Donas, terra de Guterres. E para rematar: "20 garrafões em vidro, 1 máquina de engarrafar. Vendo tudo por 50 euros". Esta ficou-me retina, era muito menino para lá ir arrematar o lote, aproveitava e despachava um arroz de carqueja n' O Mário. Não tenho é arrumação para tanto vasilhame.