
Numa instituição bancária em Liberty há uma placa de bronze que anuncia: "Local do primeiro assalto a um banco à luz do dia nos Estados Unidos. Assalto atribuído à quadrilha de Jesse James."
Que palavras deveriam constar de uma placa que assinalasse aos futuros visitantes do Capitólio a vergonhosa e tresloucada acção de ontem, o assalto instigado por um presidente disfuncional ainda em funções ao coração do poder legislativo da maior democracia do mundo? Talvez "Local de uma inenarrável tentativa de sedição atribuída ao bando de Donald Trump". Este é, como o referiu Joe Biden, "um assalto sem precedentes" comandado por um truão sem escrúpulos entrincheirado no Twitter que, entretanto, lhe cancelou temporariamente a conta, ameaçando bani-lo para sempre.
Mitt Romney, um nome destacado da família política de Trump, classificou os acontecimentos de ontem como "insurreição". No interior do Capitólio, um representante do estado de Illinois disse pelo telefone à NBC: "Todos os que se dizem republicanos, como eu, deviam estar muito envergonhados." Mas os salteadores do Capitólio deixavam-se fotografar sentados às secretárias dos gabinetes devassados, com as patas em cima das mesas, como os pistoleiros bêbados do velho Oeste. As imagens mostram salteadores saqueando o que encontravam ou fazendo-se fotografar abraçados a estátuas de gente maior.
Quando a estupefacção da América o obrigou a acalmar o bando, o truão malévolo uniu polegar e indicador como se pousasse um colt invisível e, com palavras de pólvora seca, acusou o caixa do banco de lhe ter roubado a carteira.
John Lee Hooker já cá não está para cantar "I'm bad like Jesse James".
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