Ambiente

Portugal considerado um mau exemplo ambiental

A Rede Europeia para a Ação Climática atribuiu a Portugal a medalha de ouro para os piores subsídios aos combustíveis fósseis.

Uma vitória amarga. Portugal encabeça o pódio na lista dos piores apoios à exploração de combustíveis fósseis. O prémio é uma iniciativa da CAN Europe (Rede Europeia para a Ação Climática).

Em causa está a licença ao consórcio Galp/Eni para exploração de petróleo em grande profundidade ao largo de Aljezur. O projeto na Costa Vicentina está em consulta pública até esta segunda-feira e é contestado por autarcas da Região de Turismo do Algarve e dezenas de associações ambientalistas locais e nacionais.

Este prémio vem dar visibilidade internacional ao processo de exploração de petróleo ao largo de Aljezur. O presidente da ZERO, associação que integra a Rede Europeia para a Ação Climática, considera que, ao permitir esta licença, o Governo português entra em contradição com o discurso da Neutralidade Carbónica. Francisco Ferreira fala mesmo numa "esquizofrenia" na área das alterações climáticas.

"Por um lado, somos campeões das renováveis, o mundo conhece-nos pelos recordes que estamos a conseguir alcançar, muito ambiciosos na eficiência energética, com o roteiro a caminho da neutralidade carbónica em 2050; por outro lado, não temos a capacidade de assumir que iniciar agora a prospeção e eventual exploração de petróleo não é o caminho", defende.

Para Francisco Ferreira, "é inaceitável que o Governo continue a favorecer o acesso das companhias petrolíferas, quer nacionais, quer estrangeiras, à área de exploração marítima e de conservação marítima que deve ser preservada".

Portugal leva o ouro nestes prémios que distinguem os piores desempenhos na exploração de combustíveis fósseis. É seguido pela Polónia, pelo incentivo a centrais de carvão obsoletas, e por Espanha, por subsidiar a utilização de carvão nas ilhas Baleares.

Na página da CAN Europe na Internet, o diretor da organização, Wendel Trio, escreve: "Dois anos depois da adoção do Acordo de Paris, é inaceitável esbanjar milhares de milhões de dinheiro público nos combustíveis fósseis".

"Causa danos à saúde das pessoas, ao clima e economicamente não faz qualquer sentido. Os prémios enviam um sinal claro aos governos europeus: esta é a hora de acabar com os subsídios aos combustíveis fósseis. Os recursos libertados serão úteis para melhorar uma transição energética limpa e justa na Europa", defende o responsável, "as finanças públicas devem permitir uma maior ambição climática".

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