Há um glaciar que está a ganhar gelo. E não, este não é um bom sinal

Os investigadores da NASA nem queriam acreditar quando o glaciar mais estudado do mundo começou a ganhar gelo, depois de 20 anos sempre a derreter. Mas os sinais não são positivos.

Jakobshavn Isbrae. Assim se chama o glaciar mais estudado do mundo, localizado na Gronelândia, e que tem suscitado dúvidas aos cientistas da NASA que o observam há mais de 20 anos. Jakobshavn Isbrae: não se esqueça deste nome, porque ele ainda não vai desaparecer.

Até 2018, terá sido este bloco de gelo que mais contribuiu para o aumento do nível das águas do mar, numa média de 1 milímetro entre 2000 e 2010. Agora, Jakobshavn continua a derreter a uma velocidade superior à do ganho de gelo que ocorre onde o glaciar entra no oceano, de acordo com o que os investigadores revelaram à CNN .

Os cientistas da agência americana justificam o ganho de gelo pelo arrefecimento localizado do oceano. Entre 2014 e 2016, águas arrefecidas em dois graus celsius entraram em Disko Bay, na Gronelândia, no lugar onde o Jakobshavn Isbrae encontra o mar. A NASA acredita que o arrefecimento está relacionado com uma variação climática natural no hemisfério do norte, conhecida como Oscilação do Atlântico Norte. O fenómeno pode causar arrefecimentos ou aquecimentos em períodos de tempo alternados, como o El Niño e La Ninã no oceano Pacífico.

Os glaciares não vão parar de derreter

Apesar de este ser um fenómeno que ocorre naturalmente, a comunidade científica não garante que os efeitos sejam inócuos. Para Eric Rignot, investigador da Universidade da Califórnia, "as hipóteses de o processo de derretimento ser revertido são muito baixas" e "é apenas uma questão de tempo até que o iceberg comece a desaparecer". Os resultados do estudo mostram que os glaciares são "extremamente vulneráveis a temperaturas" e isso, avisaram os cientistas, não é uma boa notícia. Mais de 90% do calor está a ser transferido para os oceanos, o que eleva as temperaturas das águas do mar. O nível dos oceanos está também em tendência de aumento.

Um dos membros da equipa, Khazendar, contou à CNN que a resposta "dramática" do glaciar a variações da temperatura do mar está a forçar os cientistas a repensar a vulnerabilidade dos glaciares às alterações dos oceanos. O arrefecimento do Atlântico Norte é um efeito localizado, mas será revertido ao mesmo tempo que o termómetro dos oceanos da Terra vai aumentar.

"A resposta de um único glaciar não implica que as coisas tenham mudado no que toca ao aquecimento global", garantiu Marco Tedesco, professor de pesquisa do Observatório da Terra Lamont-Doherty, da Universidade de Columbia. A Gronelândia perde atualmente 270 milhões de toneladas de gelo por ano, segundo Tedesco.

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