Sociedade

NASA mostra furacão Ofélia e incêndios em Portugal com um pormenor nunca visto

A NASA publicou um vídeo que mostra - com as melhores imagens de sempre - a época de furacões deste ano. A passagem do Ofélia ao lado de Portugal põe o país a arder.

No vídeo completo, o objetivo da NASA é acompanhar o movimento dos aerossóis no mar e na terra. Do início de agosto até ao final de outubro. Os furacões tornam-se especialmente visíveis por levarem consigo grandes quantidades de sal marinho e de poeira vinda dos desertos.

Os fogos também são bem visíveis. De 31 de julho até 1 de novembro, na América do Norte, são raros os momentos em que não se vê fumo dos incêndios. Em Portugal também é assim, mas nada se compara ao que acontece na altura em que o furacão Ofélia se forma e se dirige para a Europa.

Veja o vídeo desse momento - legendado em português:

A animação foi composta combinando uma série de dados recolhidos pelos satélites da agência espacial norte-americana com modelos matemáticos sofisticados, capazes de descrever os fenómenos que estão na origem dos processos físicos.

No texto que acompanha o vídeo, lê-se que "a primeira coisa que é fácil de ver é o quão longe as partículas podem viajar. O fumo dos incêndios no noroeste do Pacífico é empurrado dos EUA até à Europa. Os furacões que se formam ao largo da costa africana e viajam pelo Atlântico para chegarem à terra nos Estados Unidos. A poeira do deserto do Saara é soprada até Golfo do México".

É para entender os impactos dos aerossóis que os cientistas precisam estudar todo o processo como um sistema global.

Foi o Gabinete de Modelos e Assimilação Global (GMAO) no Goddard Space Flight Center da NASA que desenvolveu o Goddard Earth Observing System (GEOS), uma família de modelos matemáticos. Combinados com os dados dos satélites de observação da Terra da NASA, as simulações de supercomputadores aprimoram nossa compreensão científica de processos químicos, físicos e biológicos específicos.

O vídeo completo não se resume aos dias do furacão Ofélia, partilhado mais acima. As imagens reportam-se a toda a época de furacões de 2017. As tempestades tornam-se visíveis graças que elas conseguem elevar do mar. Os ventos fortes na superfície das águas são capazes de elevar o sal do mar para a atmosfera e as partículas são incorporadas na tempestade.

Mal arranca a simulação, o "furacão Irma é a primeira grande tempestade que se origina na costa da África. À medida que a tempestade gira, o pó saariano é absorvido por gotas de nuvens e levado para fora da tempestade enquanto chuva".

A NASA explica que "esse fenómeno acontece com a maioria das tempestades", mas não foi isso que se passou com o furacão Ofélia.

"Formado mais ao norte do que a maioria das tempestades, o Ofélia viajou para o leste puxando para si poeira do Saara ao mesmo tempo que alimentava os grandes incêndios em Portugal. Mantendo seu estado de tempestade tropical mais ao norte do que qualquer sistema no Atlântico, o Ofélia carregou o fumo e a poeira até à Irlanda e ao Reino Unido.

A NASA explica que "as simulações informáticas que usam os modelos GEOS permitem aos cientistas ver como os diferentes processos se encaixam uns nos outros e evoluem para um sistema único. Ao usar modelos matemáticos para representar a natureza, podemos separar o sistema em partes e entender melhor a física subjacente de cada um".

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