
Arquivo Global Imagens
Antigo secretário de Estado e ex-presidente da Agência de Energia do Porto foi, e é ainda, um dos grandes críticos da Parque Escolar e do caminho seguido para modernizar as escolas portuguesas.
" A experiência passada [com a Parque Escolar, a empresa responsável pelo programa de modernização das escolas] mostrou que houve um certo novo-riquismo, uma certa tentação de exibição em prejuízo das condições de habitabilidade e de gestão da eficiência energética, do conforto e da saúde dos alunos na escola", diz à TSF Eduardo Oliveira Fernandes, professor Emérito da Universidade do Porto.
Na opinião de Oliveira Fernandes, o programa lançado durante o primeiro governo de José Sócrates resultou, num número "significativo" de casos, em "custos de manutenção e funcionamento muito elevados". O antigo secretário de Estado do Governo concorda que, hoje em dia, continuam a ser necessárias mais e melhores escolas, mas sublinha que é preciso evitar "tentações" passadas, com obras que não foram ao encontro das reais necessidades da comunidade escolar.
"Não há dúvidas de que são necessárias novas escolas e melhores escolas, em termos de mais espaço e de outras infraestruturas que, noutros tempos, as escolas não tinham. O problema, num empreendimento destes, é mais o da organização da atividade, de como é que um projeto com um volume de milhões de euros é organizado", defende.
Oliveira Fernandes dá como exemplo as escolas onde foram instalados ares condicionados e em que não é possível abrir janelas. Um cenário que, entende o especialista na área do ambiente e energia, acaba por ser prejudicial para o desempenho dos alunos.
"Quando o ar condicionado é desligado nas escolas e alguém teve a ideia - que é quase contra a técnica do nosso tempo - de fecharem as janelas das escolas sem poderem abrir, o que acontece é que, com o funcionamento das aulas, ao fim de um certo tempo o ar está muito poluído e, inclusivamente, o rendimento dos alunos baixa, por força das concentrações de dióxido de carbono muito elevadas que se atingem em espaços fechados", explica o ex-presidente da Agência de Energia do Porto.
Esta semana, o ministro da Educação, anunciou que "mais de 70 municípios" vão celebrar acordos com o Governo para a modernização de cerca de 200 escolas, num investimento de 200 milhões de euros, provenientes de fundos comunitários e do Orçamento do Estado.
Eduardo Oliveira Fernandes espera agora que o investimento seja bem aproveitado e que haja maior ponderação: "Agora que nós temos um novo envelope para as escolas, é necessário ter presente a suficiência energética. Há aqui todo um trabalho de utilizar as potencialidades do local. Antes mesmo de se chegar aos grandes equipamentos - como os ares condicionados - há outras tecnologias associadas à construção e há conceção da forma que devem ser exploradas".