A homenagem à primatóloga que descobriu que os chimpazés fazem poupanças

Vêm de todo o mundo, incluindo da prestigiada Universidade de Quioto, com a qual Cláudia Sousa colaborou. O Colóquio desta sexta-feira, em Lisboa, reúne nomes marcantes da Primatologia e da Antropologia Biológica para homenagear a portuguesa que morreu há um ano com um cancro.

Morreu aos 39 anos e deixou marca. A primatóloga Cláudia Sousa descobriu que os chimpanzés têm noções de economia. Fazem poupanças. Margarida Fernandes lembra como é que a colega e amiga chegou a essa conclusão. A investigação estava a ser feita em laboratório e, relata, "uma das coisas que normalmente se faz é quando o chimpazé faz algo bem feito, dá-se um prémio".

O prémio era uma espécie de moedas e os primatas "depois pegavam naquela espécie de moedas e iam a uma máquina buscar frutas ou que quisessem". Foi aí que a investigadora percebeu que eles não gastavam logo as moedas todas: "Eles começam a perceber que não têm que gastar de imediato, podem fazer um pé de meia para gastar depois. Fazem acumulação de capital", conta Margarida Fernandes investigadora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Unievrsidade de Lisboa.

Isto era algo que a comunidade científica desconhecia até à descoberta feita por Cláudia Sousa. A portuguesa trabalhava na Nova de Lisboa, na Universidade de Quioto e, no terreno, na Guiné-Conacri e na Guiné Bissau.

"O trabalho da Cláudia tenta ser uma espécie de cruzamento de todas as coisas que estavam em cima da mesa com o fim último de melhorar as condições dos chimpanzés e das populações locais", frisa Margarida Fernandes.

Este colóquio acontece em jeito de homenagem, mas também para dar a conhecer papers de outros investigadores que trabalharam com Cláudia Sousa, a primatóloga portuguesa reconhecida internacionalmente.

O Colóquio vai acontecer no Museu Nacional de Etnologia, em Lisboa.

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