Espaço

Uma sonda para as portas do Sol

A NASA lança para o espaço, este sábado, a sonda que vai beijar a coroa solar.

A estrela mais perto da Terra vai ser estudada por um aparelho que levou oito anos a construir e teve um orçamento de mais de mil milhões de Euros.

A Agência espacial norte americana vive por estas horas momentos de grande expectativa em Cabo Canaveral porque além da sonda também o veículo que a transporta é um prodígio da tecnologia. É um dos foguetões mais potentes da história.

O foguete Delta IV da NASA leva mais um andar de potência do que é normal, um adicional de energia 55 vezes superior ao necessário para chegar a Marte; mas este foguete vai mais longe, ele leva a Sonda Solar Parker até às portas do Sol.

"Vão ser sete anos de espera para conseguirmos aquilo que queremos", adianta a cientista do projeto, Nicola Fox. Só em 2025 a sonda vai estar onde é preciso para recolher a informação.

Depois de chegar à coroa solar "a sonda recolhe os dados de forma rápida e o trabalho fica concluído em três meses", de acordo com a cientista.

Devido à distância entre o Sol e a Terra "é impossível manobrar a sonda com um telecomando e por isso este é o aparelho espacial mais autónomo alguma vez feito", explica.

A Sonda Solar Parker que vai onde nenhuma foi. O aparelho vai enfrentar temperaturas de 1400ºC (à superfície, a temperatura do Sol atinge os 5.500ºC) e os sensores vão captar a forma como a energia e o calor circulam através da camada de plasma e gás ionizado que constituem a coroa solar e desta forma podemos perceber como a radiação solar interfere com o clima espacial.

A sonda é lançada na manhã deste sábado numa viagem de sete anos mas a uma velocidade equivalente a uma viagem entre Lisboa e Tóquio em apenas um minuto.

O aparelho tem o nome do, ainda vivo, astrofísico norte-americano Eugene Parker, de 91 anos, que apresentou, na década de 50, uma série de conceitos para explicar como as estrelas, incluindo o Sol, libertam energia. Chamou vento solar à 'cascata' de energia do Sol e descreveu todo um "sistema complexo" de plasmas, campos magnéticos e partículas energéticas associado ao conceito de vento solar.

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