"Fazer química é também desenvolver uma visão estética do mundo que nos rodeia"

A química, a arte e a fantasia fazem parte da vida de Nuno Maulide, investigador português que foi considerado o cientista do ano na Áustria. Tem 39 anos, foi aluno no Técnico, atualmente é professor catedrático na Universidade de Viena.

Faz investigação na área da química orgânica, mas não desliga em momento algum o trabalho científico da fantasia. Nuno Maulide considera que a missão dos investigadores "é trabalhar em coisas fascinantes".

O investigador português trabalha na área da química orgânica que está, na verdade, "em tudo o que nos rodeia". Às vezes as pessoas nem se apercebem do quanto a química está no nosso dia-a-dia.

"Os cosméticos que usamos quando tomamos banho de manhã estão recheados de moléculas orgânicas. Tudo o que nos rodeia, as nossas roupas, os nossos sapatos, são compostos orgânicos, nós próprios somos feitos essencialmente de água, mas também de moléculas orgânicas."

O cientista português lembra que a química se resume a qualquer coisa que é palpável, "há uma componente estética muito importante naquilo que nós fazemos na química". Fazer química "é também desenvolver uma espécie de visão estética do mundo que nos rodeia."

Nuno Maulide acredita que "quem está no meio académico tem o dever e a missão de investigar algo de relativamente fantasioso". "A nossa missão é trabalhar em coisas fascinantes, coisas saídas da criatividade. Se isso tiver aplicação prática, tanto melhor". O investigador português lembra que "a maior parte das grandes descobertas que são feitas em ciência veem precisamente desta curiosidade desprendida, de um objetivo prático que é o de perguntar o que mais ninguém perguntou antes, testar aquilo que ninguém se lembrou de testar antes. E depois, volta e meia, acontece um resultado surpreendente. Um telemóvel ou uma grande descoberta."

Nuno Maulide defende que "é muito importante esta questão da fantasia e da dimensão emocional de cada um", mas reconhece que a imagem que as pessoas têm dos cientistas é de alguém "com uns óculos de segurança, muito grandes, grossos, com uma bata branca, a fazer umas coisas que não interessam ao menino Jesus dentro do laboratório."

Certo, certo é que "a ciência é muito mais do que isso, é um fascínio, é fantasia e é sobretudo uma questão emocional. Algo que desperta emoções fortes no cientista, numa criança, num adulto ou num idoso."

Maulide nasceu em Lisboa em 1979, tirou o curso no Instituto Superior Técnico, é professor catedrático na Universidade de Viena desde 2013, e tem no currículo dezenas de distinções. Não pensa para já no regresso a Portugal, mas reconhece que por cá já "há muita investigação, e muito boa a ser feita. Há pessoas que fazem milagres com recursos limitados".

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