TSF 30 Anos

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TSF 30 anos

Pó que acelera, fita que mede o stress. Invenções das universidades portuguesas 

Uma banda que mede o stress, um pó que torna os navios mais rápidos, um microchip que faz a ponte entre o real e o digital e um carro de corrida elétrico que, em dois segundos, chega aos 100km/hora.

De olhos postos no futuro, a TSF desafiou várias faculdades de ciências e tecnologia a apresentarem alguns dos projetos mais inovadores que estão, nesta altura, a ser desenvolvidos.

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Uma banda que lê emoções

A Faculdade de Ciências da Universidade e Lisboa apresentou o projeto EmotAI, desenvolvido no Instituto de Biofísica e Engenharia Biomédica, que consiste numa banda que se coloca na cabeça e permite medir os sinais fisiológicos do cérebro.

Carolina Amorim explica que a fita mede "os sinais do cérebro e o ritmo cardíaco e, com esta informação, diz à pessoa se ele está concentrada, se está stressada e se tem emoções positivas ou negativas em relação àquilo que está a fazer". E

Esta tecnologia está a ser testada em jogadores de jogos eletrónicos para que conheçam as emoções que estão a sentir e usem isso em benefício próprio, mas a ideia é utilizá-la em controladores de tráfego aéreo "que devem evitar o stress" ou até na área da psicologia "para o tratamento de crianças com ansiedade, por exemplo". Nesta altura, existem 10 protótipos e Carolina Amorim espera que o produto esteja concluído entre este ano e o próximo.


Um pó mágico

Outro projeto que nasceu na Faculdade de Ciências da Universidade e Lisboa é um pó desenvolvido pela Biomimetx, uma empresa de biotecnologia que produz biocidas de origem bológica. Nasceu há cinco anos na Teclabs, o polo agregador de todas as iniciativas de empreendedorismo de base tecnológica desta faculdade.

Patrick Freire, um dos responsáveis pela empresa conta que se trata de "um produto para aditivar as tintas marítimas que são colocadas nos cascos dos navios para evitar bioincrustação (a deposição em camadas de organismos marinhos que vão afetar a deslocação dos navios)". A invenção vai permitir ganhos de eficiência e reduzir o consumo de combustível. Patrick explica que já existem no mercado soluções muito eficazes, mas o objetivo é substituir essas soluções por uma mais amiga do ambiente.

Dos zero aos 100km/hora em pouco mais de 2 segundos

Parece um carro de fórmula 1, mas é mais pequeno (tem 3 metros de cumprimento e 1,5 metros de largura) e foi construído pelos futuros engenheiros do Instituto Superior Técnico. Afinal o que é que tem de especial?

"É um carro maioritariamente construído por fibra de carbono, alumínio de liga zero - materiais muito leves. Tem 175 cavalos, quatro motores elétricos e consegue ter uma aceleração dos zero aos 100 em cerca de 2,3 segundos", conta Henrique Frazão Caras, o chefe da equipa de estudantes do Instituto Superior Técnico responsáveis pela construção.

Este carro participa na Fórmula Student, uma competição universitária onde os protótipos e os estudantes são avaliados por júris das empresas mais conceituadas. A equipa de 37 alunos da Formula Student do Técnico já está a trabalhar no próximo protótipo, que, dentro de dois meses, deve estar pronto.

"É uma grande oportunidade construir estes protótipos e pôr em pratica todo o conhecimento que aprendemos nas aulas" afirma Henrique Frazão Caras.


Mini-portas para o mundo digital

"Estes chips fazem a ponte entre o mundo real físico e o mundo digital, em todas as aplicações - seja de obtenção de sinais biomédicos, seja de aquisição de sinais na agricultura, nos incêndios, por exemplo", explica João Pedro Oliveira, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, que trabalha no desenvolvimentos destes circuitos.

Através do Centro de Tecnologias e Sistemas, a FCT tem competido ao mais alto nível com outras universidades de topo e com os melhores grupos de investigação. São exemplos práticos disso mesmo os interfaces digitais com sensores que os professores João Pedro Oliveira e João Goes apresentaram. "Mesmo no nosso smartphone, temos um microfone que vai captar sinais acústicos que é preciso transformar em linguagem digital", explica João Pedro.