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"Cigano, africano ou brasileiro?" Pais denunciam "inquérito racista" nas escolas

Alto Comissariado para as Migrações investiga inquérito entregue aos pais, acusado de conter perguntas discriminatórias, referentes à ascendência dos alunos. Investigadora garante que inquérito foi autorizado por DGE.

O Jornal de Notícias conta que um dos pais que fez queixa terá ido levar o filho à Escola Básica Estádio do Mar, em Matosinhos, esta segunda-feira, tendo-lhe sido entregue um envelope com uns papéis, indicando que fora selecionado para participar numa investigação. Mas no entender do pai do aluno, o questionário é "tolo" e contém "perguntas racistas".

Os pais podem recusar-se a responder ao inquérito, mas têm de justificar a decisão, esclarecer se costumam ir às reuniões da escola e responder qual consideram ser o papel da ciência na melhoria da qualidade de vida.

Diana Orghian, responsável pelo estudo organizado por uma empresa de consultadoria em economia comportamental, garantiu ao Jornal de Notícias que o objetivo é melhorar os métodos educativos nas escolas. A responsável assume, no entanto, que "algumas coisas não correram bem".

Os inquéritos foram entregues em várias escolas de Lisboa e do Porto antes do prazo estipulado (24 de setembro). Os investigadores afirmam que pretendiam, até à data de entrega do inquérito, retirar do documento a referência à palavra "cigana".

Incomodados com as perguntas, alguns pais denunciaram o estudo junto da Secretaria de Estado da Cidadania e Igualdade, da Comissão para a Igualdade e Discriminação Racial e ainda no Alto Comissariado para as Migrações.

O Alto-comissário Pedro Calado garante que vai investigar o caso de imediato, para averiguar se houve discriminação.

O inquérito foi autorizado pela Direção-Geral da Educação, mas uma fonte do organismo garantiu ao Jornal de Notícias que "nada tema ver com o estudo", que também recebeu luz verde da Comissão Nacional de Proteção de Dados.

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