Urbanismo

A carga já não vai ser metida nos contentores. Novo Martim Moniz (re)apresentado

O primeiro projeto foi alvo de contestação popular e levantou dúvidas sobre o rumo do espaço. Contentores já não fazem parte do futuro do Martim Moniz.

Não vai ter contentores e não vai ser vedada à noite. O novo projeto da Praça Martim Moniz é (re)apresentado, na manhã desta quinta-feira, duas semanas depois de uma primeira - e muito contestada - apresentação à população. O projeto revisto, da autoria da empresa de arquitetura Broadway Malyan, apresenta um espaço "aberto, moldável, fresco, verde e sociável".

A principal diferença é o recuo numa das intenções apresentadas a 21 de novembro pelo executivo municipal. Nesse dia, era anunciado que os quiosques da Praça do Martim Moniz seriam substituídos por contentores marítimos, que seriam utilizados como novos espaços comerciais.

Contentores desaparecem

No novo projeto, a concessionária deixa claro que serão utilizadas "estruturas modulares flexíveis" com o objetivo de recriar a "malha urbana" dos bairros históricos de Lisboa. Quanto ao material de que serão compostas estas estruturas, embora sem os especificar, a concessionária garante que facilitam a "adaptação" e "versatilidade" destas estruturas à praça, sem que para isso seja necessário um "grau de intervenção mais pesado, complexo e prolongado."

Praça não fecha durante a noite

Outra das grandes preocupações em relação ao projeto apresentado no final de novembro, era a possibilidade de que a praça fosse "vedada" durante a noite, impedindo a circulação do público. A concessionária garante, no documento apresentado esta manhã, que o espaço permanecerá "inteiramente aberto", independentemente da hora do dia.

"Será possível atravessar a praça de uma ponta à outra. Não haverá separação entre os espaços comerciais e a rua, mesmo durante a noite", lê-se no documento. Na mesma passagem, é mencionado que esta é uma garantia deixada em resposta à "preocupação revelada pelos moradores" aquando da apresentação do primeiro projeto.

Áreas verdes ganham novo peso

O reforço das áreas verdes era uma das necessidades identificadas pelos moradores, como pode ler-se, por exemplo, na petição online criada para tentar acabar com a concessão e parar a remodelação da praça. Para este tipo específico de planeamento, a responsável pelas obras guarda dois parágrafos pontos nos quais garante um espaço "fresco" e "verde": floreiras, canteiros, trepadeiras e árvores fazem todos parte daquela que deve ser a nova realidade da praça.

Neste ponto em específico há, no entanto, uma ressalva feita pelo próprio concessionário: na nova praça, o mercado só ocupará 28% da área total, pelo que 72% do espaço ficará livre e pronto a ser ocupado precisamente com áreas verdes. A promotora das obras mostra-se aberta a contribuir com a plantação de árvores e a ajudar a montar uma realidade como essa "apesar de isso estar fora do seu âmbito de atuação contratual", lê-se.

Lojas multiculturais e uma só para moradores

Os 28% de espaço comercial serão então ocupados por restaurantes, uma mercearia, uma florista, uma loja de discos, uma padaria e outros estabelecimentos, com especial atenção para a "multiculturalidade". A ideia é manter a diversidade cultural já presente na zona envolvente e garantir, ao mesmo tempo, que a praça não é uma fonte de ruído. O barulho será controlado de forma central e não de forma independente por cada lojista ou espaço comercial, respondendo assim a uma das principais preocupações dos moradores da zona.

Além destas lojas tradicionais, os cidadãos terão um espaço só seu, apresentado como "A Loja dos Moradores". O objetivo, lê-se no documento do projeto, é que os moradores da freguesia de Santa Maria Maior possam vender produtos em segunda mão e afixar mensagens de forma gratuita.

Os horários de todas estas lojas serão mais controlados: abrem de manhã cedo e fecham à meia-noite durante a semana. Nos fins de semana há atividade comercial até à uma da madrugada.

Parque infantil e datas ainda por definir

Por último, fica garantida a existência de um espaço para crianças, desejo que o presidente da Junta de Freguesia de Santa Maria Maior, Miguel Coelho, já tinha expressado. Este espaço está ainda sob estudo e o seu projeto será apresentado mais tarde.

No final do documento encontra-se a resposta a uma dúvida apresentada pelos munícipes aquando da apresentação do primeiro projeto: a concessão da Praça Martim Moniz é válida por mais 14 anos.

Sem querer adiantar datas para a abertura da praça remodelada, o projeto aponta para o final da primavera ou o início do verão de 2019, sendo que as obras devem começar ainda neste mês de dezembro.

Primeiro projeto foi alvo de muitas críticas

Foi a 20 de novembro que a Câmara Municipal de Lisboa e a concessionária do projeto apresentaram o projeto daquele que seria o "novo" Martim Moniz. Logo nesse dia, relata o Público foram várias as vozes que se levantaram contra o projeto.

Durante a sessão pública de apresentação, o presidente da junta de freguesia fez notar que a ideia dos contentores não era do seu agrado, algo que o vereador do Urbanismo da CM Lisboa, Manuel Salgado, dizia ter registado, reconhecendo ao jornal que "a larga maioria das pessoas prefere mais espaço aberto, prefere [espaços] vazios e prefere um jardim."

Outra das grandes críticas dos moradores prendia-se com a necessidade de silêncio e de espaços verdes, contrastando com as intenções da concessionária que pretendia conferir um ambiente "de bairro" ao local. Frases como "as pessoas que moram aqui não têm direito ao seu descanso?" ou "os contentores são objetos lindíssimos mas não é para aqui" materializaram algumas das contestações populares ao projeto.

Além de moradores e munícipes, estiveram também presentes na reunião forças políticas como o Bloco de Esquerda ou a CDU, ambas criticando abertamente o projeto e a as suas intenções.

A opinião mais conclusiva seria, no entanto, a do presidente da junta de Santa Maria Maior: "Não gosto nada deste projeto, tem um impacto visual muito grande."

Uma semana depois desta reunião, o PSD juntava-se às vozes que contestavam o projeto, rejeitando a instalação de contentores no espaço e o encerramento da praça no período noturno. Os social-democratas sugeriram a abertura de um concurso internacional de ideias.

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