António Teodoro

A luta dos professores é "inatacável", garante fundador da Fenprof

No dia em que começa uma greve dos professores ao tempo não-lectivo, o primeiro líder da Fenprof considera contraditório dizer que, até 2023, não há dinheiro para honrar um compromisso de 2008.

António Teodoro afirma que a luta dos professores pela recuperação total do tempo dos 9 anos, 4 meses e 2 dias em que não progrediram nas carreiras é "inatacável" e vai manter-se até que este ou os próximos governos acabem por ceder. O que está em causa é "como é que vão ser faseados os custos financeiros" dessa recuperação.

Por isso, o fundador da Federação Nacional dos Professores defende um pacto de regime que envolva o governo, que envolva o governo, os partidos e o presidente da república, e que vá para além da legislatura que termina em 2019.

"Assim como estão a ser procurados, para as grandes obras públicas, compromissos inter-partidários, de forma a garantir que investimentos como o do aeroporto, o tgv, etc., que não são de legislatura e implicam opções até 2040 - 2050, também na Educação deveria existir uma busca de compromissos nesse sentido, nomeadamente (...) nesta questão do tempo de serviços dos professores".

António Teodoro defende que o pagamento deve ser faseado ao longo dos próximos anos. O antigo sindicalista afirma que é "uma contradição imensa" dizer que o país não tem condições económicas para cumprir, até 2023, final da próxima legislatura, um compromisso assumido em 2008.

Sobre as lutas sindicais de agora e as do seu tempo, o fundador da Fenprof considera que, nessa altura, anos 80 - 90, havia uma maior ligação entre os sindicatos e o resto da comunidade. Mas recusa responder, quando a TSF quer saber se isso tem eventualmente a ver com falta de liderança sindical. Em vez disso, Teodoro prefere sublinhar que, hoje em dia, há uma "unidade" entre os sindicatos "que não havia no meu tempo".

A conversa no espaço Almoço TSF passou também pelo estado da escola pública e da Educação em Portugal. António Teodoro é professor na Universidade Lusófona de Lisboa, onde também faz investigação e dirige o Centro de Estudos Interdisciplinares em Educação e Desenvolvimento, da Lusófona.

O professor universitário defende que a escola pública não tem sabido adaptar-se aos novos tempos. Que, apesar de ser considerado um dos melhores de todos os países membros da OCDE, o sistema educativo português continua a falhar na redução das desigualdades; e tem um sucesso relativo na forma como prepara os alunos para a vida em sociedade.

António Teodoro considera ainda que as políticas públicas para o setor também não ajudam a uma educação de maior qualidade.

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