Dia da Mulher

A mulher de armas que ama os animais

No Dia Internacional da Mulher, fique a conhecer o trabalho de uma mulher que tem no amor pelos animais a sua principal ocupação.

Margarida Ferreira tem 45 anos. Vive em Bragança onde trabalha na GNR. Desde 2013 que acolhe, cuida e trata de cães abandonados. Depois de os recolher e passarem pelo veterinário, põe-nos para adoção. Em quatro anos e meio, a cabo Margarida já salvou cerca de mil cães.

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Tudo começou no verão de 2013. "O primeiro foi em setembro de 2013. Faço isto porque não posso ver esta miséria que é os cães abandonados e os maus tratos a que são sujeitos".

Desde que se espalhou a notícia de que Margarida Ferreira cuidava e dava para adoção os cães abandonados, a casa tornou-se ponto de romagem. "São pessoas que os trazem cá e outros que se querem livrar deles. Neste momento tenho 14".

Catorze cães que esperam na parte do jardim e lavandaria, locais adaptados, pela sorte de serem levados por alguém. "Vão dois, vêm três, vão quatro, vêm dois. Pelas fichas de adoção, porque todos levam uma ficha de adoção, para mil devem faltar dois ou três. Mais do que um número para mim é um orgulho", salienta emocionada Margarida Ferreira.

Um orgulho e uma satisfação que se notam no olhar da militar da GNR. A internet tem sido um parceiro privilegiado na entrega dos animais. Até porque, acrescenta "dá para ver logo quem vai ficar com o animal". E para o Facebook vão sempre as fotos dos animais. "Há uma ou outra que fica mais engraçada, outras vezes não e tem que se tirar outra vez. Isto é como ir à esteticista ou à cabeleireira".

Quando os recolhe ou ali chegam, os animais são todos tratados. "Ficam aqui em quarentena e depois vão todos as veterinário". As entregas de mais longe, como Lisboa ou Algarve, são feitas em transporte próprio. A maior parte das vezes é Margarida Ferreira que suporta os custos. As rações chegam de alguns, poucos, particulares que ajudam e de uma empresa que vai dando também alguma coisa. A associação animal AMICA (com sede no Politécnico de Bragança), à qual pertence como voluntária, é a aliada que tem, principalmente para as esterilizações.

Margarida faz tudo pelos cães. Tanto que mantém contacto com muitas pessoas que fazem as adoções para saber como estão os animais "Tenho os números delas nas fichas e, muitas vezes, ligo para saber se está tudo bem", conta.

Esta cabo é mesmo uma "mulher de armas". Está desde setembro de baixa médica, por causa de uma doença crónica que ciclicamente a leva ao hospital e a incapacita fisicamente. Dentro de pouco tempo, espera voltar ao serviço. O trabalho nunca foi impedimento para recolher e tratar dos animais abandonados. Tem na ideia, a curto prazo, arranjar um terreno para poder por lá os animais enquanto não são adotados.

Uma coisa é certa para Margarida: não vai parar o que começou há quatro anos e meio. "A minha vida não era a mesma", termina.